HSVP cria o grupo consultor de cuidados paliativos
Nesta terça-feira, 28 de abril, o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) marcou o início das atividades do Grupo Consultor de Cuidados Paliativos, que traz um novo olhar sob a morte. Através da palestra Cuidados Paliativos: a essência do cuidar, ministrada por especialistas de Pelotas, gestores de várias áreas da instituição, profissionais de saúde e alunos, que lotaram o auditório da Faculdade de Medicina da Universidade de Passo Fundo (UPF), conheceram mais a fundo o significado dos cuidados paliativos e sua importância para a qualidade de vida das pessoas.
Na abertura do evento, uma das idealizadoras do Grupo Consultor de Cuidados Paliativos, a psicóloga do HSVP, Débora Marchetti, descreveu que a trajetória do grupo iniciou em 2011, ao se observar que embora a ciência tenha ampliado significativamente a expectativa de vida, contudo permanece impotente diante da morte. “Aprendemos a salvar vidas e excluímos a morte como parte integrante e inevitável da própria vida. Morrer hoje, pode ser muito triste, mecânico, desumano e solitário. Portanto, é nosso compromisso mudar o modo de conviver e lidar com a morte. É nosso compromisso ter o cuidado para não cair na obstinação pela luta da vida, que em determinado momento somente acrescenta sofrimento e diminui a sua qualidade”, pontua Débora, enfatizando que a humanização do cuidado na vida, no processo do adoecimento e na morte foi o que motivou a criação grupo de consultoria.
A palestrante Dra. Julieta Carriconde Fripp, médica clínica, intensivista, especialista em cuidados paliativos pelo Instituto Pallium, vice-presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos, que atua na Universidade Federal de Pelotas, afirma que a essência de cuidados paliativos é controlar sofrimentos e aliviar sintomas em pessoas acometidas por doenças graves e incuráveis, para que elas tenham qualidade vida. Esse resultado somente irá ocorrer, segundo a especialista, se houver o envolvimento de equipes interdisciplinares, que possam contribuir com as inúmeras necessidades desse paciente, que não são apenas físicas, mas emocionais, sociais e espirituais. Um exemplo mencionado pela Dra. Julieta é o câncer e aumento de mortalidade por essa doença, que no Brasil é a segunda causa de morte. “As pessoas com câncer sentem dor, sofrimento, depressão, ansiedade, entre outros sintomas, por isso tem que estar atento para poder controlar e evitar a piora do quadro”.
No país ainda não há uma política pública de cuidados paliativos estabelecida, mas de acordo com a Dra. Julieta, o Ministério de Saúde está realizando discussões para a construção de uma política pública. A especialista cita a Argentina, o Chile como países aonde existem inúmeros serviços pontuais de cuidados paliativos. “Observamos em várias cidades do Brasil a existência de estruturas diferenciadas, como ala de cuidados paliativos, atenção domiciliar, entre outras iniciativas criadas em hospitais privados, públicos e filantrópicos, a exemplo do Hospital São Vicente de Paulo que está implantado um grupo de consultoria. Nossa expectativa para este ano é que o Ministério de Saúde normatize uma portaria que oferte cuidados paliativos para as pessoas”, defende especialista.
Os cuidados paliativos, na ótica da enfermeira Isabel Cristina Arrieira, mestre em Ciências, que coordena a Atenção Domiciliar e a Gestão Participativa do Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas, abrangem o indivíduo com uma doença que ameaça a sua vida. “Quando o paciente é encaminhado para os cuidados paliativos começa um novo ciclo de encerramento de sua vida. Por isso, é extremamente importante fechar esse ciclo de vida com conforto, junto da família, com sintomas físicos e emocionais controlados. Esse indivíduo irá ter sofrimento, ainda mais quando a morte se aproxima, mas ele irá encontrar um sentido a partir do momento em que ele é cuidado, ele é visto por uma equipe interdisciplinar”, destaca Isabel. Ela alerta que nesse momento o indivíduo aflora todas as suas dimensões, a física, a emocional, a social, a espiritual, trazendo muitas perdas. Nesse aspecto, a equipe consultora deve apoiar a família, para que ela consiga suportar, de forma digna, esse sofrimento e dar qualidade de vida ao paciente.
Importância da consultoria em cuidados paliativos
Em relação à importância de implantar o grupo consultor no Hospital São Vicente de Paulo, o vice-diretor médico, Dr. Júlio Stobbe afirma que a existência de um grupo de cuidados paliativos o deixou imensamente contente, tendo em vista o significado de conforto que essa equipe trará. Conforme Stobbe, é fundamental fazer cuidados paliativos não apenas para os idosos, que já estão no final da vida, mas para os jovens, as crianças que sofrem de uma doença terminal. “A morte se hospitalizou, parece que só se pode morrer no hospital, porque morrer é um tabu, no entanto, sabemos que não existe nada mais real do que a morte. Não existe mais morte com conforto, ao lado da família. Então, só poderemos minimizar essa realidade se conversarmos e discutirmos o assunto, para entender que muitas vezes a tecnologia traz sofrimento para o paciente e sua família. Nós queremos que as pessoas vivam com dignidade e conforto”. Segundo Stobbe, é com esta visão que o HSVP apoia a implantação do grupo consultor que desenvolverá um trabalho de equipe multiprofissional.
Para a Dra. Julieta, a criação do grupo é de grande relevância, uma vez que hoje existe um grande número de pessoas que estão envelhecendo, vivendo mais sem doenças graves, então a equipe de consultoria não consegue atender isoladamente todos os pacientes. Os médicos e os profissionais que cuidam desses pacientes na origem precisam do grupo consultor para fazer educação permantente, ensinando-os a cuidar do paciente. “Eu considero que a equipe de consultoria seja o modelo ideal de atendimento, melhor do que estabelecer uma ala de cuidados paliativos, onde o paciente é separado da equipe que o atendeu na origem. Na consultoria envolvemos todos os profissionais”.
Foto 1: Dra. Julieta Carriconde Fripp e enfermeira Isabel Cristina Arrieira ministraram a palestra Cuidados paliativos: a essência do cuidar (Foto Assessoria de Comunicação HSVP/Caroline Silvestro)
Foto 2: Grupo Consultor de Cuidados Paliativos tem o compromisso de mudar o modo de conviver e lidar com a morte (Foto Assessoria de Comunicação HSVP/Caroline Silvestro)
Foto 3: Vice-diretor médico do HSVP, Dr. Júlio Stobbe destacou a importância da criação do Grupo Consultor de Cuidados Paliativos (Foto Assessoria de Comunicação HSVP/Caroline Silvestro)