Banco de Tecidos: Número de doações é inferior a demanda
A captação, o processamento e o transplante de órgãos são procedimentos de alta complexidade, que exigem estrutura técnica e equipe preparada para elaborar os processos. O Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, possui o único Banco de Tecidos Musculoesqueléticos (BTME), da região sul do Brasil, e realiza todos os processos da doação de órgãos, por possuir uma estrutura adequada e de qualidade. Desde sua abertura, em 2005, um total de 3.963 pessoas receberam enxerto ósseo. Em 2014, a unidade possibilitou 537 transplantes e registrou 84 doações de tecidos musculoesqueléticos. Porém os números registrados no primeiro trimestre de 2015 preocupam. Até março foram realizados 152 transplantes, mas, o BTME não teve nenhum doador. Diante disso, mais de 150 pacientes aguardam em lista de espera pelo tecido musculoesquelético.
Segundo o enfermeiro do BTME do HSVP, Anderson Flores, nos últimos anos os dados mostram um aumento, mesmo que sutil, no número de doadores. No entanto, infelizmente, ainda o número de doações é baixo em relação à grande demanda por transplante. “Um doador pode beneficiar até 100 receptores, mas infelizmente ainda há um baixo número de doações. A principal causa para esta situação é a negativa familiar”, relata o enfermeiro explicando ainda que, a doação de tecidos musculoesqueléticos, assim como a doação de outros órgãos, requer a autorização dos familiares de segundo grau de parentesco do doador. “Os doadores são criteriosamente avaliados pela equipe do banco para excluir a possibilidade de transmissão de doenças infectocontagiosas. Além de que, no caso de tecidos musculoesquelético a doação também pode ser feita em vida, nos casos em que o paciente necessite ser submetido a uma cirurgia de colocação de prótese de quadril, na qual a cabeça do fêmur é substituída. Para o paciente este osso retirado não terá mais utilidade, porém pode ser utilizado por outra pessoa”, explica Anderson, reiterando que neste caso também é necessário a autorização e preenchimento de autorização.
Diferentemente de outros órgãos e tecidos, que tem sua lista de espera regulada pelas Centrais de Notificação Captação e Distribuição de Órgãos e Tecidos de cada estado, os Bancos de Tecidos Musculoesqueléticos têm autonomia para gerenciar a lista de espera para estes tecidos específicos com base nos critérios e legislações dos órgãos reguladores. Anderson explica que o cirurgião, ao identificar a necessidade de seu paciente utilizar enxerto ósseo, encaminha ao Banco de Tecidos um formulário de solicitação identificando o tipo e a quantidade de material que será necessário para a cirurgia, e os dados do paciente. Em seguida, as solicitações são avaliadas pelo diretor técnico do BTME e são classificadas conforme a gravidade dos casos e ordem cronológica dos pacientes. “O Banco de tecidos entrará em contato com o profissional transplantador para avisar da disponibilidade do tecido solicitado, em caso de indisponibilidade o cirurgião também é comunicado e o paciente entra em lista de espera. Se o profissional transplantador possui mais de um paciente em fila de espera ele é responsável por determinar a prioridade entre seus pacientes, em conformidade com a avaliação do diretor técnico”, salienta, o enfermeiro enfatizando que a utilização destes tecidos só poderá ser realizada por serviços e profissionais de saúde também autorizados e cadastrados pela CGSNT/MS. “Este é o único Banco de Tecidos Musculoesqueléticos em atividade no sul do país, sendo assim, a maior demanda para transplantes provem dos estados localizados nesta região, mas havendo possibilidade o BTME pode e deve fornecer tecidos ósseos para todo o Brasil”.
Manifeste o desejo de ser doador
Para que a doação aconteça e dezenas de pessoas sejam beneficiadas, é necessário que os futuros doadores manifestem claramente o seu desejo, a sua família. Anderson destaca que entre as principais causas de não doação está a negativa familiar, que é quando os familiares não concordam em doar os órgãos/tecidos de seus familiares e também a contraindicação para a doação, que ocorre quando é identificado na seleção do potencial doador algum motivo clínico, sorológico, social ou outro que impeça a efetivação da doação. “Não é preciso assinar nenhuma declaração em vida para que aconteça a doação, a decisão final é tomada pela família após a morte. A consulta da família é obrigatória, se essa não for localizada ou não concordar, não ocorre a doação. Por isso é fundamental que as pessoas manifestem o desejo de ser doador”.
Campanha permanente
A campanha Doe Órgãos: uma corrente pela vida é realizada permanentemente pelo Hospital São Vicente de Paulo. Mais informações estão disponíveis no site http://www.hsvp.com.br/btme/inicial ou pelo fone (54) 3316 4017.
Foto 1: BTME é único da região sul do Brasil (Foto Assessoria de Comunicação HSVP/Caroline Silvestro)
Foto 2: Procedimentos são totalmente seguros e realizados por profissionais capacitados (Foto Assessoria de Comunicação HSVP/Caroline Silvestro)