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61 órgãos captados e 82 transplantes realizados em 2014

  • 21/01/2015

  A doação de órgãos é um gesto de solidariedade e amor ao próximo que permite a continuidade da vida. O Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, ao longo dos seus 96 anos, trabalha e incentiva esta causa. Através das equipes multiprofissionais da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) e a Organização por Procura de Órgãos e Tecidos (OPO4- RS), doações e transplantes são realizados, permitindo um grande elo pela vida. Em 2014, o HSVP registrou a doação  de oito fígados, 24 rins, e 29 córneas, no total um número menor que em 2013, onde foram captados sete fígados, 16 rins e 80 córneas. Em relação aos transplantes, em 2014 foram realizados 12 de fígado, 12 de rins e 58 de córneas, número que variou pouco em relação a 2013 onde 67 transplantes de córnea, 14 de fígado e 11 de rim, foram efetuados.

O coordenador da OPO4 -RS, Cassiano Crussius destaca que os acontecimentos de 2014, Copa do Mundo e eleições, contribuíram para a estabilidade do número de doações. Segundo ele, as pessoas deixam um pouco de lado a preocupação com esses assuntos. “Realizamos as campanhas permanentes buscando incentivar a doação e fazer com que as pessoas e famílias conversem sobre o assunto. Nos últimos dois anos os números se estabilizaram mas esperamos que esse ano nos tenhamos um aumento”, relata o neurologista.

Outro fator que contribui para a diminuição das doações e por consequência os transplantes é a negativa familiar. Conforme explica Cassiano, a única forma de ser um doador é manifestando o desejo a sua família, já que é esta quem autoriza a doação dos órgãos. “Na nossa região existe um quantitativo alto quanto a negativa familiar a doação. Os motivos são muitos, mas o principal é a falta de conversa sobre a doação e também os receios da família em relação a morte encefálica. É preciso deixar claro que, os procedimentos para a comprovação da morte encefálica são realizados por uma equipe multiprofissional especializada e são totalmente seguros”, salienta o especialista reforçando ainda que morte encefálica e coma são diferentes, onde no coma a pessoa está em estado vegetativo e na morte encefálica o cérebro está parado, ou seja, não há mais atividade cerebral.

A enfermeira da OPO4- RS Fabiana Dal Conte também reforça que a conversa com a família é a melhor forma de expressar o desejo da doação e facilitar a decisão da família. “Apesar de todo o sofrimento que a família está passando pela perda de um ente querido, eles precisam entender que, podem fazer o bem para outras pessoas que estão na fila por um transplante. Quando a doação é manifestada ou não em vida, a decisão se torna mais fácil para a família que está consternada pela perda”, esclarece Fabiana.

A doação e a corrida contra o tempo

Quando um protocolo de morte encefálica é iniciado a equipe da CIHDOTT faz a abordagem à família para saber se esta autoriza ou não a doação de órgãos. Se autorizado a doação, Cassiano explica então que iniciam a realização dos exames e protocolos de doação. “É um processo que as vezes é demorado. Uma série de exames são realizados para identificar alguma contraindicação à doação e também para saber a compatibilidade deste doador com outras pessoas. Depois a Central de Transplantes, localizada em Porto Alegre, analisa a lista de espera para ver se há um receptor disponível para receber o órgão. Localizado esse paciente , ele tem que se deslocar até o hospital transplantador, para que então, o procedimento de retirada dos órgãos do doador inicie”, exemplifica o especialista, afirmando ainda que, a família recebe o corpo do ente querido sem deformações, já que são colocadas próteses no lugar dos órgãos retirados.

Após a retirada do órgãos, Fabiana relata que inicia uma corrida contra o tempo, para que o órgão chegue até o paciente que irá ser transplantado. “Após a retirada o fígado deve ser transplantado em até seis horas, os rins em até 12 horas e o pulmão e coração em quatro horas. As filas de espera por um transplante são controladas pelas Centrais de Transplantes, de tal forma que os critérios médicos e a ordem de inscrição são totalmente respeitados”. Outro ponto que Fabiana esclarece é a respeito dos receptores dos órgãos. Segundo a enfermeira, as equipes da OPO4-RS e CIHDOTT não são informadas de quem serão os pacientes que irão receber os órgãos doados.

Um elo pela vida
"Desde pequena ouvia minha mãe dizer que não queria morrer velha e que, quando acontecesse poderíamos doar todos os seus órgãos. Ela repetiu isso uma dezena de vezes. No dia 18 de maio de 2007, ela completou 42 anos. Estava feliz aquele dia, almoçamos todas juntas. No final de semana ainda saiu com as amigas para comemorar. Na segunda-feira, dia 21, ela levantou cedo e não se sentiu bem. O socorro veio logo, mas já não foi possível fazer muita coisa, ela teve um infarto fulminante. Os médicos tentaram reanimar e eu segui com ela de Cruz Alta, onde morávamos, até Passo Fundo, porém não teve jeito, ela não resistiu e faleceu a caminho. Minha tia e meu marido demoraram quase duas horas para nos alcançar e chegar até Passo Fundo. Sozinha e sem ninguém pra abraçar lembrei do que inúmeras vezes minha mãe havia dito, não quero olhar no espelho e ver uma idosa. Quando eu morrer vocês podem doar todos os meus órgãos. Um dia vai passar alguém e vocês vão poder dizer olha, aqueles eram os olhos de minha mãe estarei viva em muitas pessoas”, relata emocionada Janaína Scheimer, 32 anos, de Cruz Alta, a história da doação dos órgãos de sua mãe.

A conversa e o desejo manifestado em vida pela mãe de Janaína, fizeram a diferença na hora da decisão. “Naquele momento decidi pela doação, pedi que retirassem o que fosse possível, porém talvez pelo tempo, só as córneas puderam ser doadas”. Quanto ao processo Janaína salienta que ágil e que a equipe foi muito atenciosa e solícita no atendimento. “Relembrar esta história me deixa muito emocionada. A doação de órgãos tem o meu apoio, e com certeza eu também serei doadora, seguindo o exemplo da minha amada mãe”.

Uma campanha permanente
Com o objetivo de despertar a consciência coletiva, o HSVP realiza permanentemente a campanha Doe Órgãos - Uma corrente pela vida, que faz um apelo para que as pessoas participem desta corrente pela vida, tendo a percepção da doação pela necessidade do ser humano e não apenas pelo sentimento da morte. Dúvidas e questionamentos podem ser sanados através do fone (54) 2103 4058 ou pelo email [email protected].

Foto 1: Os procedimentos para a comprovação da morte encefálica são totalmente seguros (Foto Assessoria de Comunicação HSVP)

Foto 2: Cassiano Crussius coordenador da OPO4-RS do HSVP (Foto Assessoria de Comunicação HSVP)

Foto 3: HSVP mantém camapanha permanente de Doação de órgãos (Foto Assessoria de Comunicação HSVP)