Lutar contra um câncer de mama é a dura realidade de milhares de mulheres. Porém, quando a batalha contra a doença é levada com paciência, persistência e esperança, pode tornar-se um pouco mais amena. É com esses atributos, aliados a autoestima, que Sabrina Jardim, 35 anos, enfrenta um Câncer de Mama Metastásico nos ossos, desde 2010. Na quarta-feira, 22 de outubro, ela esteve no Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, e ministrou uma palestra para os funcionários da instituição. Com o tema “As coisas que a vida ensina todos os dias” o objetivo do evento foi ressaltar a prevenção e o dia a dia do paciente com Câncer de Mama. A atividade faz parte da programação do Outubro Rosa e os mais de 80 funcionários se emocionaram ao ouvir o relato de Sabrina.
Em sua fala Sabrina contou sobre a descoberta, o dia a dia do tratamento do câncer, e a importância da prevenção e a informação sobre a doença. “Quando você descobre o câncer não tem como pensar ou lidar diferente, o que vem na cabeça é a morte. Eu chorei vários dias, mas depois percebi que eu tinha duas escolhas, ou morrer chorando ou viver. Eu escolhi viver e lutar. Ninguém está preparado para um câncer, enfrentei um mundo novo com quimioterapia, radioterapia, careca, com dor, mas resolvi fazer um pacto com a vida e desde então tenho aprendido muito”, relatou.
Sempre com um sorriso no rosto, ela destacou ainda a importância de Outubro Rosa para a prevenção e informação. Para Sabrina falar abertamente sobre o câncer quebra tabus e pode salvar muitas vidas. “Muitas mulheres com menos de 40 anos ainda tem receio de falar sobre câncer, de se tocar, conhecer o corpo, ouvir os sinais que o corpo manda. Isso não pode acontecer é preciso informar e se prevenir, não ter vergonha e tabus”. Para as mulheres que estão iniciando o tratamento, Sabrina recomendou paciência e esperança. “O Câncer de Mama não muda só o corpo físico, ele muda a mente e o espírito. É preciso sempre acreditar que têm uma luz no fim do túnel, se amar, ter autoestima, sentir-se bonita. Já perdi seis vezes o cabelo, hoje faço quimioterapia a cada 21 dias, sinto muita dor, mas eu nunca me senti tão bonita. Os médicos, os grupos de apoio, o tratamento podem ajudar, mas a primeira força para vencer o câncer vem de dentro, se você não quiser, nada vai ter resultado”.
Além ressaltar a importância da prevenção, para os profissionais, o depoimento de Sabrina trouxe a visão do paciente sobre a doença. Michele da Silva Lara, enfermeira, achou muita válida a oportunidade de ter essa experiência, que para ela ajuda a melhorar a relação entre paciente e profissional. “Poder ver como o paciente se sente com a doença, como ele encara os tratamentos, o que espera dos profissionais, é muito importante para nós. Além do mais, a Sabrina fez lembrarmos do valor da vida, da importância de pequenos atos que muitas vezes não valorizamos no dia a dia e, deu exemplo de força de vontade”. Assim como Michele, a enfermeira Nataniela Piaia Gasparin também gostou muito do depoimento da Sabrina. Para ela a palestra foi válida para vida pessoal e profissional.