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Fila de espera e transplante: os dois lados de quem espera por um órgão

  • 24/09/2014

“Não sei como agradecer ou explicar o gesto da doação. É um ato com valor inexplicável para quem recebe. É uma atitude de amor ao próximo de quem doa, que permite esperança de vida para pessoas como eu”, descreve, feliz e emocionado, o transplantado de rim, Jocemarcos Zamboni, 30 anos, de Sananduva. Depois de passar mais de dois anos e meio em tratamento semanal na hemodiálise, Jocemarcos foi submetido ao transplante no dia 16 junho de 2014, data que segundo ele representa um recomeço. Hoje, um pouco mais de dois meses depois da cirurgia, Jocemarcos está internado no Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, para realizar exames de rotina. Com sorriso no rosto ele conta como o transplante mudou sua vida.

Porém, assim como esperou Jocemarcos, muitos pacientes aguardam na fila de espera por um transplante e pela nova chance de vida. Segundo dados da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT) do HSVP e Organização de Procura de Órgãos (OPO-4 RS), há uma diminuição do número de doações e o aumento da negativa familiar à doação, o que aumenta as filas de espera por um órgão e a angústia dos familiares e pacientes. Isaías Borges, 46 anos, morador de Passo Fundo é um dos mais de 70 pacientes da região, que aguarda na fila de espera por um transplante. “Fazem oito anos que eu faço hemodiálise. É uma rotina cansativa, venho três vezes por semana e passo o dia no hospital. Antes eu trabalhava bastante, saía, gostava de viajar, hoje eu sei que a minha esperança em poder voltar a fazer todas essas atividades está na realização do transplante”, salienta Isaías.

Caminhada reforça doação de órgãos
Para mudar a vida de Jocemarcos e para manter a esperança e tentar ajudar pacientes como Isaías, o Hospital São Vicente de Paulo realiza permanentemente a campanha de doação de órgãos, Doe órgãos: uma corrente pela Vida. Para ser um doador de órgãos é necessário manifestar este desejo à família, responsável pela decisão de doar ou não. Com o objetivo de levar o assunto da doação para a comunidade e reforçar a importância do gesto, desde 2013, o HSVP realiza a Caminhada Viva a Vida, que neste ano acontecerá no próximo domingo, 28 de setembro.

Tanto Jocemarcos como Isaías já participaram da primeira edição e levaram amigos e família. Neste ano, só Isaías poderá comparecer, já que Jocemarcos continua em repouso. “Já convidei os amigos e vamos participar de novo da caminhada. É essencial que as pessoas saibam como a doação é importante, quantas pessoas podem ter uma nova esperança”. Mas Jocemarcos, apesar de não poder ir, não deixou de fazer sua parte e promover a campanha. Na cidade onde mora, ele disseminou a ideia da doação entre os vereadores. “Nós confeccionamos camisetas e levamos o assunto para as rádios e jornais, para conscientizar a população como este gesto é importante”, destacou.

No domingo a caminhada inicia às 14h, com saída na Avenida Sete de Setembro, nº 166 (em frente a Mega Tintas), seguindo até o Parque da Gare, onde os participantes terão disponível atrações, como mateada coordenada pela Escola do Chimarrão, Feira de Saúde, brinquedos para crianças. As inscrições podem ser realizadas nas portarias do HSVP. Em caso de chuva, a caminhada será transferida. Traga sua família e amigos, venha compartilhar a ideia da doação de órgãos e venha fazer parte deste elo pela vida. Mais informações podem ser obtidas nos fones (54) 3316-4044 e 3316-4079.

Foto: Jocemar celebra a alegria do transplante e da vida nova (Foto Assessoria de Comunicação HSVP/Caroline Silvestro)