Prevenir o colesterol é cuidar também do coração
Você pratica exercícios físicos e procura manter uma alimentação equilibrada? Faz exames regularmente? Sabe como estão os seus níveis de colesterol? Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 17 milhões de pessoas morrem em todo o mundo devido às doenças do coração, no Brasil o número chega a cerca de 300 mil por ano. Conforme o médico cardiologista do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, Dr. Norberto Tozza Duda, um dos causadores dessas doenças é o colesterol, que atinge cerca de 50% da população do Rio Grande do Sul. Diante desses dados preocupantes, Dr. Duda e a nutricionista do HSVP, Tatiane Basso, enfatizam a importância de cuidar da saúde do coração para se ter saúde e qualidade de vida.
O cardiologista explica que as gorduras do sangue são sabidamente responsáveis por ocasionar obstruções nas artérias, e consequente redução da circulação no músculo cardíaco, ocasionando o infarto do miocárdio. “Existem vários tipos de gorduras no sangue e uma classificação que as separa. As mais comuns são o colesterol e o triglicerídeos, mas o HDL e o LDL indicam pior ou melhor prognóstico. Quando o nível do LDL está elevado o comprometimento vascular acontece”, salienta Dr. Duda. O especialista destaca ainda que o valor indicado para o colesterol LDL, ou colesterol ruim é abaixo de 70. “A indústria farmacêutica desenvolveu vários medicamentos que diminuíram os infartos e problemas com o colesterol. Porém, essa medicação chegou a um limite onde não adianta aumentar a dose dos medicamentos já muito potentes. Os efeitos colaterais começam a causar outros problemas”.
A detecção de problemas cardiológicos ou do colesterol, conforme Dr. Duda, devem ser avaliados como um todo. Para tanto, vários exames para verificar a origem da doença devem ser feitos antes de iniciar qualquer tratamento. Complementando, a nutricionista do HSVP, Tatiane Basso afirma que existem fatores de risco para o desenvolvimento da doença vascular, que são a idade, homens acima de 45 anos e mulheres depois da menopausa, o colesterol, o fumo, a hipertensão mesmo quando tratada, diabetes, história de doença cardiovascular em parentes de primeiro grau e níveis muito baixos do HDL, que é o colesterol bom. Nesse sentido, “a alimentação influencia no aumento do colesterol. 70% do colesterol é produzido pelo corpo, que precisa deste para algumas necessidades específicas, os outros 30% vem da dieta”. Entretanto, a nutricionista alerta que é preciso ingerir gordura com cuidado. Isso, porque a população está mais idosa, mais obesa e sedentária, propiciando diversos fatores de risco nesse novo modelo urbano.
Prevenção ainda é a melhor aliada
Para evitar os danos do colesterol e as doenças cardíacas, a prevenção é sempre a primeira indicação. Tanto o Dr. Duda como a nutricionista Tatiane enfatizam que manter hábitos de vida saudáveis, uma boa alimentação e a prática de exercícios físicos são fundamentais para a prevenção dessas doenças. “Existem dois tipos de prevenção, a primária onde detecta-se os fatores de risco antes que um problema aconteça, e a secundária, quando a pessoa já é atendida com algum problema cardíaco e então, começa o cuidado para que um novo infarto não ocorra”. Nos quesitos básicos da prevenção, Tatiane reforça que a alimentação deve ser balanceada, considerando sempre a pirâmide alimentar, somada à prática de exercício físico, que deve ser de no mínimo 150 minutos por semana. “Precisamos ficar alertas com a quantidade de gorduras saturadas e trans dos alimentos. A base de uma boa alimentação é incluir fibras e cereais como aveia, granola, consumir verduras e frutas, procurar manter o peso dentro do Índice de Massa Corpórea (IMC), que é calculado dividindo o peso (em quilogramas) pela altura (em metros) ao quadrado”.
Pesquisas para o tratamento do colesterol estão em desenvolvimento
O tratamento para o colesterol, de acordo com o Dr. Duda, atualmente se dá por meio de medicamentos. No entanto, em muitos casos em que o colesterol é muito alto, o medicamento disponível no mercado não é suficiente. Pensando nesses pacientes, há uma pesquisa clínica com anticorpos monoclonais que está sendo desenvolvida mundialmente, e visa diminuir mais as taxas de colesterol dos pacientes. “É uma pesquisa multicêntrica e no Brasil, o Hospital São Vicente de Paulo de Passo Fundo está entre os 40 centros que desenvolvem a pesquisa, também realizada na Europa, Estados Unidos e Canadá. Neste momento, as pessoas que tenham tido infarto do miocárdio recente estão sendo selecionadas e tratadas com a nova medicação. Elas serão acompanhadas e medicadas por cinco anos. De acordo com resultados preliminares, muito em breve os pacientes terão à disposição os anticorpos monoclonais como opção para o tratamento da cardiopatia isquêmica”, detalha Dr. Duda.
Foto: Pirâmede Alimentar (Assessoria de Comunicação HSVP)