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Falta de medicamento para tratamento oncológico preocupa HSVP

  • 10/07/2014

 A descoberta do tratamento para a cura do câncer foi um grande marco para a saúde e encheu de esperança as pessoas com o diagnóstico da doença. A possibilidade de cura de uma doença tratada até então como incurável, mudou a vida de muitas pessoas. Porém, no Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, a falta de distribuição do medicamento MESNA está interrompendo o tratamento quimioterápico de muitos pacientes. Os três laboratórios responsáveis por repassar o medicamento ao HSVP, estão há três semanas sem disponibilizar a medicação.

Segundo o oncologista pediátrico que atua no corpo clínico do HSVP, Dr. Pablo Santiago, o medicamento MESNA não é um quimioterápico, mas sim uma medicação protetora, que evita alguns efeitos colaterais da quimioterapia. “A ifosfamina e ciclofamida são medicações usadas no tratamento quimioterápico de diversas neoplasias, porém quando não usadas com o medicamento MESNA podem causar lesões na bexiga, cistite hemorrágica, sendo importantíssimo o uso da medicação para realizar a quimioterapia”, explica o especialista, apontando que sem o uso do medicamento o paciente fica exposto à riscos.

No HSVP, atualmente em média 12 pacientes, a maioria crianças, necessitam do medicamento para fazer o tratamento. Conforme Santiago, a medicação é disponibilizada em comprimidos e ampolas (líquido), sendo que os pacientes da oncologia pediátrica não toleram o uso de comprimidos. “Os pacientes geralmente fazem a quimioterapia a cada três semanas, então já têm pacientes aguardando para fazer o tratamento, outros que vão fazer na semana que vem, e isso nos preocupa”.

Sobre os efeitos que o atraso das sessões de quimioterapia causam nos pacientes, Santiago evidencia que “a chance de cura dos pacientes diminuiu, assim como em qualquer outro tratamento”. Ele ressalta ainda que o HSVP já está em contato com os laboratórios há mais de três semanas, e que não obteve uma resposta concreta de quando eles vão voltar a fornecer o produto. “Nós ficamos preocupados com os pacientes. Tratamos e cuidamos do paciente, visando sua cura. É difícil dizer que vamos remarcar a sessão de quimioterapia em função da falta do medicamento”, destaca o oncologista.

Laboratórios não apontam motivos

Segundo a farmacêutica do HSVP, Cristine Mocelin Tatsch, em contato com os laboratórios, todos os três não apontaram o principal motivo para a falta do medicamento. “Não fomos avisados antecipadamente de uma possível falta de medicamentos, simplesmente eles não têm em estoque, por isso estamos sem a medicação. Quando telefonamos, enviamos e-mails, indagando sobre os prazos, eles prometem que estará disponível em determinado dia, porém, neste dia é repassado que ainda não há disponibilidade”.

O HSVP segue em contato diário com os laboratório, tentando uma resposta para a falta do medicamento. “Percebemos que a falta do remédio não afeta só o Hospital São Vicente de Paulo, mas também outras instituições, e o universo de pacientes que podem ficar sem o tratamento multiplicará”, salienta Cristine.