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HSVP realiza procedimento inédito para hipertensão arterial

  • 28/11/2013

A hipertensão arterial é uma doença que segundo estudos acomete até 60% da população geral. Considerado um problema de saúde pública, é tratada com mudança de hábitos alimentares e medicações. Em alguns casos essas alternativas não funcionam. Porém, há quatro anos um procedimento está sendo realizado e estudado com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos pacientes que sofrem com a hipertensão. No sábado, 24 de novembro, o procedimento chamado Denervação de Artéria Renal foi realizado no Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), pela primeira vez no interior do estado, sendo também um dos pioneiros no Rio Grande do Sul.

O procedimento que ainda é desenvolvido de forma experimental, depende de um rigoroso protocolo para ser efetuado. Os responsáveis pela técnica inovadora, os médicos eletrofisiologistas que atuam no corpo clínico do HSVP, Dr. José Basileu Reolon e Dr. Luciano Backes explicam que a Denervação de Artéria Renal só é realizada em pacientes que já fizeram o uso de no mínimo três medicamentos para controlar a hipertensão, e que esta não tenha causa específica. “O procedimento consiste em cauterizar os gânglios simpáticos, que são os receptores responsáveis por produzirem adrenalina que estimula o aumento da pressão arterial. Esta cauterização diminui a liberação da adrenalina e, consequentemente, a pressão”, comenta Dr. Basileu, que descreve como se dá o processo de intervenção. “Entramos com o cateter pela artéria, seguimos pela aorta e cauterizamos a parede interna da artéria renal, de forma espiral. Deste modo, aplicamos e cauterizamos os gânglios”, detalha o especialista, ao reforçar que a partir deste procedimento os gânglios cauterizados param de passar informações, diminuindo assim os níveis de adrenalina no corpo e reduzindo a pressão arterial gradativamente. “A Denervação da Artéria Renal ainda não está autorizada como método para ser feita em toda a população. Ela está muito bem fundamentada, mas para realizá-la temos um protocolo aprovado pelo Conselho de Ética Médica”, consta o eletrofisiologista.

No que se refere à preparação desse paciente e aplicação do protocolo, Dr. Basileu ressalta que são realizados exames rigorosos e de última geração e o paciente fica internado uma semana para acompanhamento. “O risco do procedimento é baixo e essa é a grande vantagem. O procedimento tem baixa taxa de complicação, apresenta resultado satisfatório, é de fácil aplicabilidade, e em mãos experientes, é tranquilo de ser efetuado”.

Conforme o especialista, até o momento os resultados coletados de procedimentos realizados em outros hospitais em nível mundial são positivos. Os pacientes foram acompanhados por três anos, e neste tempo a pressão continuou diminuindo. “O objetivo da Denervação de Artéria Renal não é o de cura, mas sim trazer um benefício adicional para os pacientes, como uma melhor qualidade de vida”, pontua Dr. Basileu.

A primeira paciente a ser submetida ao procedimento no interior do estado, Jocelina Fonseca, de São Luiz Gonzaga, sofria há 16 anos de hipertensão. Tomando oito remédios anti-hipertensos diariamente, sua pressão chegou aos incríveis 30/18. “Eu descobri na gravidez da minha filha. Comecei a tratar e tomo medicamento direto sem ter resultado. Ultimamente ela subiu muito e procurei o médico fora da minha cidade. O Dr. Basileu me sugeriu o procedimento e então fizemos” conta Jocelina contente com o resultado. “Estou bem e a tendência é melhorar. Que bom que eu fui a primeira e deu tudo certo. A minha qualidade de vida vai melhorar e isto me deixa muito feliz”.

Para o eletrofisiologista, o procedimento “é um marco no tratamento da hipertensão. Até os dias de hoje, alguém que não controlava a pressão, tomava remédios e as expectativas eram ruins, agora tem uma alternativa, a Denervação de Artéria Renal”, salienta entusiasmado Dr. Basileu, ressaltando ainda a importância da estrutura do HSVP para a realização do procedimento.