No Dia da Criança, comemorado neste sábado, 12 de outubro, além de festejar, brincar e homenagear os pequenos, é importante refletirmos sobre uma realidade difícil que convivem muitas crianças e adolescentes: a violência. O IBGE estima que uma em cada cinco crianças brasileiras são vítimas de violência física. Na maioria das vezes, os agressores são pais, outros familiares ou alguém do convívio muito próximo da criança ou adolescente. Diante dos índices preocupantes, o Núcleo de Vigilância Epidemiológica Hospitalar (NVEH) do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), de Passo Fundo, atua na notificação de doenças compulsórias, entre elas a violência é um dos agravos mais notificados pelo NVEH.
De janeiro a setembro de 2013, o Núcleo notificou 219 casos suspeitos ou confirmados de violência contra crianças e adolescentes. Daiane Trentin, enfermeira do NVEH relata que destes 219 suspeitos e ou confirmados, 104 são de negligência ou abandono, 80 de agressão física, 17 de abuso sexual, 13 de autoagressão, dois de maus-tratos, dois de trabalho infantil, e um de violência moral. “O profissional da área da saúde deve ficar atento às entrelinhas do caso, ter a sensibilidade para perceber através da conversa, das atitudes, das marcas, se essa criança sofreu algum tipo de violência e notificá-la, mesmo sendo somente uma suspeita”, reforça.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) violência é “uso intencional de força física ou do poder, real ou em ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade que resulte ou tenha possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação”. A assistente social, Mara Mendes afirma que é preciso que a comunidade entenda o que é violência e o mal que ela causa a uma criança, para que os casos possam ser denunciados aos órgãos competentes como Secretaria Municipal de Saúde, Conselho Tutelar, Delegacia, entre outros. “A partir do momento em que há uma suspeita, o caso começa a ser investigado. Conversamos com a família desta criança e analisamos todo o contexto social em que ela está inserida, tomando a seguir as medidas cabíveis”.
A violência não causa apenas ferimentos físicos, mas também deixa marcas psicológicas que comprometem a capacidade de aprendizagem, socialização e desenvolvimento da criança. Nesta sentido, tanto Daiane quanto Mara afirmam que essa causa precisa ser abraçada e ter uma atenção especial por parte da sociedade. “Enquanto todos não se conscientizarem de que a violência infantil está presente no dia a dia e começarem a denunciar estes atos, os números de violência contra crianças não diminuirá”, ressalta a assistente social.