Atendimento às vítimas da tragédia de Santa Maria em evidência
O 1º Simpósio de Prevenção e Tratamento de Lesões Cutâneas do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), realizado de 14 a 16 de agosto no campus II da Universidade de Passo Fundo (UPF), recebeu dois profissionais que atuaram no atendimento às vítimas da tragédia ocorrida no dia 27 de janeiro de 2013, na boate Kiss, em Santa Maria. De forma emocionada, a enfermeira Magda Door e o médico socorrista Marcelo Fabra contaram os momentos de tensão e angústia que vivenciaram no resgate do maior desastre da história do Rio Grande do Sul. Com postura ética, os profissionais não mostraram imagens do que viram em Santa Maria, mas os depoimentos expressam o impacto da tragédia em suas trajetórias profissionais.
A enfermeira Magda, que é coordenada o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu-RS) iniciou sua explanação contando que na madrugada do dia 27 de janeiro, ela fez contato com muitos hospitais solicitando respiradores. Por volta das 5 horas da manhã começaram a passar nos locais para recolher os materiais. “Nosso telefone não parava de tocar. Eram pessoas e profissionais que queriam ajudar no resgate das vítimas. Chegando lá é que fomos ter dimensão do desastre. Nós fomos de helicóptero, sentados no chão, em meio a respiradores, caixas e pacientes em macas, necessitando de atendimento”, descreveu a enfermeira. Ela falou, emocionada, que foi bonito ver todos os profissionais se despirem de seus títulos, e trabalharem juntos, de forma ordenada.
Com o clima de horror e tensão generalizados, Magda chama a atenção para a importância dos profissionais se mobilizarem e atuarem. “Nós fomos lá para trabalhar e não para ver corpos. Se a gente não fizesse nosso trabalho bem feito muitos pacientes não voltariam para casa”, declarou.
Cenas de guerra
Com estas palavras Marcelo iniciou seu depoimento. Ele é coordenador dos Voluntários da Defesa Civil Estadual, especialista em gerenciamento de desastres e instrutor do Núcleo de Educação e Emergência do Samu RS. O socorrista foi chamado às 3h45min da manhã para se deslocar para Santa Maria. “A proporção era maior do que se imaginava. Fiquei chocado. O que vimos foi cenas de guerra. Tivemos que ser muito fortes, porque fiquei na área aonde estavam os corpos. Para atender os familiares montamos miniestruturas”. Nesse sentido, Marcelo evidenciou que os voluntários foram surpreendentes na ajuda e colaboração aos familiares das vítimas.
Para o socorrista, é difícil falar a respeito da tragédia até hoje. Foi um desastre de múltiplas vítimas tão grande que Santa Maria não estava preparada e nenhum outro lugar estaria. Segundo ele, o que ficou marcado é a importância de treinar equipes e pessoas voluntárias para saber o que fazer nestas situações. “O treinamento é o que faz a diferença no atendimento”.