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Referência no atendimento a criança com câncer

  • 05/04/2013

Nesta segunda-feira, 8 de abril, é o Dia Mundial de Combate ao Câncer, uma data que tem como objetivo chamar a atenção de toda a sociedade em geral para o aumento dos índices da doença, que, segundo o IBGE, vem crescendo continuamente nas duas últimas décadas. Em Passo Fundo, o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) é referência pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para atendimento de alta complexidade na área de oncologia (UNACON), com radioterapia. O Serviço de Oncologia Pediátrica abrange as regiões norte e noroeste do estado do Rio Grande do Sul. Atualmente, em torno de 30 crianças estão tratamento, além de vários pacientes que já terminaram o tratamento e estão em fase de acompanhamento pela equipe multiprofissional da unidade.

Nos países desenvolvidos o câncer é a segunda causa de morte em crianças e adolescentes. Essa realidade, segundo o oncologista pediátrico que atua no corpo clínico do HSVP, Dr. Pablo Santiago, também se apresenta entre as estatísticas brasileiras.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que a incidência dos tumores pediátricos no mundo varie de 1% a 3% do total de casos de câncer. Como, para o Brasil, em 2012, à exceção dos tumores da pele não melanoma, estimam-se 384.340 casos novos de câncer, depreende-se, portanto, que ocorrerão cerca de 11.530 casos novos de câncer em crianças e adolescentes até os 19 anos.

Conforme o INCA, o câncer na criança e no adolescente (de 0 a 19 anos) corresponde entre 1% e 3% de todos os tumores malignos na maioria das populações. É uma doença considerada rara quando comparada às neoplasias que afetam os adultos. Em geral, a incidência total de tumores malignos na infância é maior no sexo masculino. “O câncer infantil também é a segunda causa de morte no Brasil, tornando-se um problema de saúde pública”, enaltece Santiago.

De acordo com o INCA, a associação entre fatores de risco e o câncer pediátrico ainda não está totalmente bem estabelecida no que diz respeito a fatores de risco ambientais e comportamentais associados a vários tipos de neoplasias na população adulta. Em razão de seu curto período de latência, as exposições durante a vida intrauterina são o fator de risco mais conhecido na etiologia desse grupo de neoplasias.

Atenção! Pode ser câncer

Para chamar a atenção dos pediatras que trabalham nas regiões norte e noroeste do estado, Santiago está desenvolvendo o projeto Atenção! Pode ser câncer, que “consiste em um boletim com assuntos de câncer infantil que tem o objetivo de estimular a realização de diagnóstico e tratamento precoces da doença, para aumentarmos as chances de curas dos pacientes”, evidenciou o oncologista pediátrico, ao salientar que se não for feito algo para alertar os pediatras que acompanham as crianças, a realidade de receber pacientes com a doença em estágio avançado e com indicação de tratamentos agressivos irá continuar. No momento está sendo construído o cadastro de médicos pediatras das regiões norte e noroeste do estado que deverão receber o boletim trimestralmente.

Fazer diagnóstico precoce da doença foi a premissa do Curso de Onco-Hematologia para Pediatras, realizado no dia 16 de março no auditório da Ameplan, em Passo Fundo. O evento promovido pelo HSVP e Grupo Regional de Estudos em Leucemias e Hemopatias da Infância, recebeu mais de 80 inscritos. “O curso teve participação de médicos de Passo Fundo, região de Carazinho e do oeste de Santa Catarina. O evento foi muito positivo, pois proporcionamos discussão de casos clínicos entre os pediatras e as equipes multiprofissionais que atendem as crianças”, avaliou Santiago.

Foto 1: Serviço de Oncologia Pediátrica do HSVP atende mais de 30 crianças com câncer (Foto Ascom HSVP/Ender Monteiro)

Foto 2: Curso reuniu pediatras e equipes multiprofissionais que atendem pacientes oncológicos (Foto Vagner Guarezi)