Gêmeas siamesas recebem alta hospitalar
Esta terça-feira, 19 de fevereiro, foi especial para as equipes médica e de enfermagem do Hospital São Vicente de Paulo, de Passo Fundo. As gêmeas siamesas Kerolyn e Kauany Ribeiro do Amaral receberam alta hospitalar, após um ano e 19 dias de internação. Sorridentes e graciosas, elas passaram por momentos difíceis, mas superaram os desafios de enfrentar uma cirurgia de separação como verdadeiras “guerreiras”. Na Pediatria do HSVP, as pequenas comemoraram o Natal, o 1º ano de vida e a festa de carnaval deste ano. Kauany e Kerolyn deram alta hospitalar pesando 5.700 kg e 7.030 kg, respectivamente.
Em relação ao sucesso da primeira cirurgia de separação de gêmeas siamesas do HSVP, o diretor médico Dr. Rudah Jorge, lembra que quando elas nasceram e foram para o Centro de Tratamento Intensivo Pediátrico e Neonatal, a direção médica do hospital começou a discutir se fariam a cirurgia de separação no São Vicente ou se encaminhariam para outra instituição. “Foram feitas diversas reuniões para montar a equipe médica que iria executar a cirurgia. Neste momento a intenção decisiva era de que as duas meninas seriam separadas no Hospital São Vicente de Paulo, e que as duas deveriam sobreviver. A cirurgia foi feita por uma equipe multiprofissional que teve sucesso absoluto. Esse sucesso deveu-se a capacidade dos cirurgiões envolvidos, ao trabalho dos médicos anestesiologistas e, principalmente, ao trabalho da enfermagem, que cuidou das meninas diuturnamente. Estão de parabéns os pais, as crianças e todos os que participaram deste trabalho”.
O cirurgião pediátrico Dr. Gustavo Pileggi Castro, responsável pelo procedimento cirúrgico, destacou que daqui para frente Kerolyn e Kauany terão uma vida normal. “Os cuidados que elas necessitam é o manejo adequado de uma bolsa de colostomia utilizada para a saída das fezes e o uso de medicação contínua para controlar o refluxo da bexiga. Elas também deverão passar por outras cirurgias para correção de malformações”.
Emoção da equipe
Um misto de emoção, alegria e saudade tomou conta dos profissionais que cuidaram das meninas. “É um sentimento ambíguo. Ao mesmo tempo em que a gente sabe que elas estão bem e precisam ir para casa, junto da família, nós já estamos com saudades. Dá um nó na garganta”, confessou a técnica de enfermagem Marelize Woivoda, que estava cuidando das gêmeas enquanto elas dormiam, horas antes da alta.
A Dra. Jaqueline Cabeda, pediatra que acompanhou Kerolyn e Kauany durante o longo período de internação, estava bastante emocionada no momento da alta. “Sinto-me muito feliz. Foi uma batalha que conseguimos vencer. As meninas responderem muito bem ao tratamento pós cirúrgico. Nós criamos um vínculo com elas que nos enriqueceu e fez valer à pena cada dificuldade vencida”.
Para o Dr. Gustavo ver o resultado positivo de um longo trabalho é muito gratificante. “Agora nós iremos continuar fazendo o acompanhamento das meninas, mas a parte mais difícil já foi realizada”.
Dia mais feliz
Este foi o dia mais feliz da vida dos pais Juliano do Amaral e Silva e Adriana Ribeiro. Com as filhas no colo, eles estavam ansiosos para levá-las para casa. “Estou muito feliz. É uma vitória. Este é o melhor dia da minha vida. Eu agradeço de coração aos profissionais do Hospital São Vicente que sempre me acolheram, aos médicos e equipe de enfermagem pelo cuidado com as meninas”, disse a mãe Adriana.
Cirurgia de separação
No dia 02 de outubro de 2012 foi realizada a primeira cirurgia de separação de gêmeas siamesas. Estima-se que a cada 50 mil nascimentos de crianças vivas, há probabilidade de ocorrer um caso de gêmeo conjugado. E o tipo das meninas atinge cerca de 6%, que são os denominados onfalópagos. Dentro dos casos raros é uma raridade. Elas eram unidas por todo o abdômen, desde o fígado, os intestinos, a parte da bexiga e a genitália. A parte óssea era separada completamente, o que permitiu manter as duas perfeitas.