Comemorar a vida. Não se trata de aniversários ou de alguma outra data especial. Trata-se de festejar a alegria de viver. De voltar a enxergar a beleza de um sorriso, de respirar profundamente por saber que uma segunda chance foi dada, porque houve alguém que doou um órgão para outra pessoa. E agora, após o transplante, a vida dessa pessoa passou a ter um novo significado. Com esse espírito envolvente que foi realizado no dia 24 de novembro em Casca, o X Encontro dos Pacientes Transplantados do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP). O evento contou com a organização das secretarias municipais de Saúde de Casca e Vila Maria e com a presença de integrantes da diretoria, direção administrativa e funcionários da instituição.
Às 9h, transplantados, familiares e autoridades recepcionaram pacientes transplantados e equipes de profissionais de saúde de mais de dez cidades da região. O retumbante som de fogos de artifício ecoou no centro de Casca, enquanto cumprimentos e abraços marcavam a acolhida aos grupos que iam chegando. Após o café da manhã, as autoridades dos municípios discursaram e entre uma palavra e outra, as mensagens se afinavam em torno da celebração da vida.
O presidente do HSVP, Décio Ramos de Lima, reforçou o apoio e o trabalho das equipes transplantadoras que enaltecem o nome da instituição a cada transplante realizado. Em paralelo, ele aproveitou para evidenciar a importância da doação de órgãos, que oportuniza uma nova chance de viver às milhares de pessoas que necessitam de um transplante.
O significado diferente propiciado pelo encontro foi enfatizado pelo prefeito de Casca, Alan Martins das Chagas. “O evento é importante por incentivar a doação de órgãos, representando uma questão que para nós tem evoluindo, a solidariedade. Passo Fundo é referência em razão de todo o trabalho desenvolvido pelo Hospital São Vicente”.
Antes de entrar na quadra para o Jogo da Vitória, a gastroenterologista Lisia Hoppe, que integra a Equipe de Transplante Hepático do HSVP, disse que participa dos encontros há oito anos, e o evento expressa a celebração da vida. “Como objetivo secundário o encontro divulga a doação de órgãos através do testemunho de vida dos transplantados, que mostram como a doação mudou suas vidas”, ressaltou a especialista ao salientar que em razão do evento ser realizado em diferentes cidades, a semente da doação é plantada em muitos municípios.
Após o almoço, o chefe da Equipe de Transplante Hepático do HSVP, Dr. Paulo Reichert, transmitiu sua mensagem de final de ano aos presentes. “Durante o ano inteiro nós lutamos muito, e esse é o único dia em que podemos confraternizar. O encontro é muito gratificante, porque vemos os transplantados bem e as famílias resolvidas. Por isso, cuidem de sua saúde, evitem exageros e façam atividade física para envelhecer com qualidade de vida”. Quanto ao desempenho da doação de órgãos, o cirurgião lamentou que 2012 foi um ano pobre em número de doações. “Esperamos que 2013 seja melhor, que renovemos a esperança e possamos acreditar que as pessoas irão doar mais. O RS já foi o primeiro estado em doação de órgãos, agora somos o sétimo. Precisamos voltar a crescer”, alertou.
Vitoriosos em cena
O Jogo da Vitória é um momento ímpar que expressa integração, determinação dos jogadores e muita diversão. Antônio Telmo da Silva, 63 anos, de Passo Fundo, divertiu-se com a movimentação dos atletas que integraram as equipes formadas por pacientes transplantados, profissionais de saúde e funcionários do HSVP.
Há um ano ele fez transplante de fígado em virtude de ter desenvolvido tumor no órgão. Após oito meses de espera Silva foi submetido, com sucesso, ao procedimento. “Fui privilegiado por receber uma doação que resultou no transplante. Agora, tenho outra vida, sinto mais esperança e alegria de viver”.
As irmãs Rosa Ferreira de Castro e Terezinha Casanova participaram felizes da décima edição do encontro. Elas são naturais de Caxambu do Sul, Santa Catarina. Há três meses Terezinha doou parte do rim para Rosa. Tudo ocorreu bem e hoje elas têm outra percepção da vida. “Cada um aqui no encontro tem sua história de vida que é compartilhada no grande grupo. Após o transplante, eu vivo um dia por vez. Antes os dias passavam e eu muitas vezes não via tanto significado como vejo hoje”. Em relação à doação de órgãos, Rosa disse que eles não falavam de doação na família até ela precisar de um transplante. “Agora toda minha família é doadora”, comemora Rosa.
Moisés Elpídio Prates, 25 anos, de Tapera, concorda com Rosa ao valorizar a doação como importante gesto solidário que salva vidas. Ele foi submetido em fevereiro deste ano ao transplante de córneas no HSVP. Há três anos recebeu o diagnóstico de miopia com ceratocone, quando a córnea torna-se progressivamente angular, no formato de um cone, causando a miopia. “Antes de passar pela doença eu não pensava em doação de órgãos, mas como eu precisei, passei a ver como a ajuda de outras pessoas é um ato importante e bonito”.