Rápida identificação dos sinais e tratamento imediato são fundamentais para evitar complicações da doença
O Rio Grande do Sul registra, em 2022, um aumento significativo no número de casos de dengue em comparação aos anos anteriores. Com 435 municípios considerados infestados pelo Aedes aegypti, a Secretaria Estadual da Saúde emitiu um alerta epidemiológico para a doença. Em 11 de abril, o portal de monitoramento de arboviroses do RS mostra 18.093 notificações e 6.688 diagnósticos positivos de dengue, sendo 5.822 casos autóctones (contraídos no próprio território de residência).
No Hospital São Vicente de Paulo de Passo Fundo, neste ano, 23 pacientes foram atendidos com suspeita da doença, sendo que 3 casos foram confirmados e outros 6 ainda aguardam o resultado junto ao Laboratório Central de Saúde Pública do Estado do Rio Grande do Sul (LACEN/RS). Até o momento, no Estado já são cinco mortes confirmadas nos municípios de Chapada, Cristal do Sul, Horizontina, Jaboticaba e Igrejinha. Ano passado, ao todo, os gaúchos contabilizaram 11 óbitos por dengue.
Diante do número expressivo de casos da doença, a Instituição Hospitalar quer ajudar os gestores públicos da região chamando a atenção para o tema. A Dra. Luciana Renner, médica nefrologista do Corpo Clínico do HSVP e professora de Medicina da UPF e UFFS, afirma que a população precisa redobrar os cuidados para evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti. “A dengue é transmitida por meio da picada da fêmea infectada do mosquito que deposita seus ovos nas bordas dos recipientes com água limpa e parada. Aproximadamente, em uma semana, os ovos viram larvas e chegam na fase adulta, assim os mosquitos prontos para picar as pessoas”.
A contaminação ocorre quando o Aedes aegypti ingere o sangue de uma pessoa com dengue, passando a carregar o vírus, e posteriormente infecta outras pessoas. De acordo com a nefrologista, os primeiros sinais da doença aparecem de 3 a 15 dias depois da picada, mas pode haver casos assintomáticos. “Existem dois tipos de dengue, a clássica e a hemorrágica, com sintomas iniciais parecidos. A diferença é que na hemorrágica quando a febre diminui, por volta do terceiro ou quarto dia, surgem sangramentos de vasos na pele e em órgãos internos que podem causar a morte”.
As pessoas com sintomas de dengue geralmente apresentam febre alta, 39° a 40°C, com início repentino e por um período de 3 a 7 dias. Além disso, sentem dores de cabeça, dores no corpo e articulações, cansaço, fraqueza, dor atrás dos olhos e manchas na pele. Também são comuns episódios de náuseas e vômitos, que resultam em perda de peso. Por isso, já aos primeiros sinais da doença, se recomenda a busca de atendimento médico nas unidades de saúde. A Dra. Luciana Renner explica que o serviço básico está preparado para realizar uma triagem das ocorrências. “O atendimento médico é fundamental para avaliar a gravidade dos sinais clínicos e dar início ao tratamento. A partir disso, o profissional pode recomendar um acompanhamento ambulatorial ou até encaminhar o paciente para internação hospitalar”.
O diagnóstico da dengue é feito mediante exame de sangue para determinar a presença de anticorpos contra o vírus. Já o tratamento consiste em ministrar cuidados terapêuticos de acordo com os sintomas: combater a febre e, nos casos graves, realizar hidratação por via intravenosa, além de suporte hemodinâmico. “Não podemos esquecer que nos casos mais graves a doença oferece riscos de complicações, com perigo de choque e acometimento do rim. Mas quero reforçar que a rápida identificação dos sinais e o tratamento correto podem reduzir o número de óbitos, chegando a menos de 1% dos casos”.
Texto: Ana Paula Koenemann/Comunicação HSVP
Fonte dos dados:
https://iede.rs.gov.br/portal/apps/MapSeries/index.html?appid=1dbac07e0aab46da83b685ee20fca437