Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio
Especialista do Hospital São Vicente de Paulo de Passo Fundo fala sobre a importância do cuidado com a saúde mental
Hoje, 10 de setembro, é o Dia Mundial de Prevenção Suicídio. A data foi instituída com o objetivo de promover uma reflexão sobre a importância da saúde mental. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) o suicídio se tornou uma das principais causas de mortes, registrando mais vítimas que o HIV, malária, homicídio e o câncer de mama. Em razão das estatísticas alarmantes, precisamos trazer orientações sobre o tema. Confira uma entrevista com a Coordenadora do Serviço de Psicologia Clínica Hospitalar do Hospital São Vicente de Paulo de Passo Fundo Unidade Uruguai, Gisele Dala Lana:
- Qual a importância de olharmos com mais atenção para a nossa saúde mental e das pessoas que nos cercam?
A saúde mental tem ligação direta com a forma que reagimos frente às exigências da vida, principalmente quando nos deparamos com as adversidades. Cada um tem uma reação frente a uma mesma situação, isso é singular. Diante de uma frustração precisamos contar com nossos recursos internos para criar uma saída. Quando não é viável ter ou realizar o que queremos naquele momento é necessário aprender a postergar, a transformar ou até renunciar a algo. É a partir das dificuldades que nos deparamos e enfrentamos que conseguimos avançar e descobrir forças que nem sabíamos que tínhamos. Da mesma maneira, precisamos reconhecer quais são nossos limites e até onde podemos ir. A importância de estarmos atentos à nossa saúde mental e a dos outros, nos faz refletir que precisamos pensar no coletivo, em olhar para si e também se ocupar do cuidado com os outros. Isso foi algo que a pandemia nos ensinou muito, pois o cuidado pessoal reflete no cuidado do outro.
- Como aceitarmos aquilo que é inesperado em nossas vidas?
Há situações que requerem uma resposta rápida, sem ter o tempo necessário de preparação e de elaboração psíquica, simplesmente precisamos agir. Depois teremos que lidar com nossas decisões. Nestes casos podemos recorrer aos nossos laços afetivos, conversar com alguém, pedir ajuda. Às vezes pode ser com um amigo, aquele que pode nos dizer a verdade, que nos mostra que sua relação conosco é de compromisso. Sabemos que temos um amigo quando essa relação suporta que possamos dizer a realidade e a pessoa vai compreender.
- Por que o autocuidado é primordial para a qualidade de vida?
Como cada um cuida de si, é uma questão interessante. O psicanalista Christian Dunker nos diz que cuidar de si não é uma tarefa simples. Ele fala que não há como ser ensinado para isso, não basta seguir uma receita ou ter alguém que nos diga o que fazer. Nos fala que o essencial é que possamos nos escutar de verdade, a fim de que cada um descubra o que é importante para si. E sugere que pudéssemos ter exercícios como: análise das próprias ideias, ver as coisas de perto e de longe, como fazemos ao olhar as estrelas, e também refletir como seria dar um zoom na nossa vida, olhar para os detalhes. Também nos fala da importância de examinar o passado, o presente, para que possamos construir o nosso futuro. O fundamental é que se possa refletir sobre o momento que se está vivendo.
- Como podemos prevenir o suicídio?
Criando espaços que permitam cuidar da saúde mental. A possibilidade do sujeito falar, sentir e pensar sobre o que se passa com ele a alguém disponível e interessado, promove uma escuta qualificada, fazendo a diferença em sua vida. É importante estar atento quando alguém nos dá sinais de algo que não vai bem, acolhendo e reconhecendo que há um sofrimento, o qual requer tratamento. É preciso suportar junto com o outro a dor que ele está sentindo, para que ao tempo ele possa se aliviar. O psicanalista Mario Corso fala que são os laços fortes com a vida que podem resgatar alguém. Portanto, é fundamental que possamos construir uma rede que possa acolher e ajudar um sujeito que está em risco.
- Quando devemos buscar um psicólogo?
Quando percebemos que estamos sofrendo e inquietos com isso. Às vezes não temos claro os motivos, e então entendemos que precisamos do outro. Assim nos abrimos internamente, para nos deparar com a gente mesmo, dando espaço para que um outro mais experiente possa nos conduzir nesse processo, ajudando a ler a nós mesmos. A busca de ajuda nos torna melhor, com mais condições de nos relacionarmos com as pessoas e inclusive de ampliar nossas possibilidades de vida.
Foto: Arquivo Pessoal
Legenda: Coordenadora do Serviço de Psicologia Clínica Hospitalar do HSVP Unidade Uruguai, Gisele Dala Lana, traz orientações sobre saúde mental