As lesões por pressão são feridas que aparecem na pele de pessoas que permanecem muito tempo na mesma posição, geralmente acamadas ou com mobilidade reduzida. Essas lesões ocorrem devido à pressão constante em pontos com proeminências ósseas que ficam em contato com a superfície, como, por exemplo, a cama ou a cadeira de rodas. A ferida pode ser superficial (atingindo apenas a epiderme) ou profunda, chegando a comprometer músculos, tendões, ossos e até órgãos. Nos hospitais, o protocolo de prevenção de lesões por pressão é uma das Metas de Segurança do Paciente, seguida para evitar esse, que é considerado um problema de saúde pública.
Com a pandemia, a incidência destas lesões aumentou. Conforme a Organização Mundial da Saúde, uma em cada seis pessoas infectadas pela COVID-19 fica gravemente doente e desenvolve dificuldade de respirar. Pacientes internados em UTI, intubados sob ventilação mecânica, frequentemente apresentaram alto risco de desenvolver lesões de pele, especialmente lesão por pressão, devido às suas condições clínicas e hemodinâmicas comprometidas, imobilidade no leito, percepção sensorial diminuída, entre outros fatores intrínsecos e extrínsecos que favorecem o desenvolvimento dessas lesões.
As enfermeiras do Grupo de Pele do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, Mariana Dal Molin e Simone Araújo explicam que a lesão por pressão é considerada um evento adverso relacionado à saúde. Antes mesmo da Pandemia, já haviam protocolos institucionais sobre “prevenção de lesão por pressão” e “ prevenção de lesão por pressão em pacientes pronados” , os quais precisaram ser reforçados na pandemia, a fim de atender a demanda dos pacientes COVID. “Nota-se uma incidência de lesão até dez vezes maior nos pacientes submetidos a cuidados críticos, quando comparados àqueles internados em outras unidades hospitalares. Assim, intervenções preventivas para lesão por pressão necessitam ser instituídas desde a admissão do paciente na UTI, visando diminuição das taxas de incidência e prevalência, segurança do paciente e qualidade da assistência”, pontuam as profissionais.
Entre as estratégias do manejo clínico da síndrome do desconforto respiratório agudo grave (SDRA), principal complicação da COVID-19, está o posicionamento do paciente em decúbito ventral, também conhecido como prona e nesse sentido, Mariana explica que o Hospital foi em busca de medidas para evitar a lesão por pressão nos pacientes que necessitavam da técnica. “O posicionamento em prona para o tratamento de SDRA grave já era adotado como estratégia de tratamento antes da pandemia, no entanto, a prática desse posicionamento apresentou-se mais frequente nos pacientes acometidos pelo vírus. Atrelado a isso, o risco do desenvolvimento de lesões por pressão relacionadas a esse posicionamento, que já era relatado como uma das principais complicações, ganhou destaque, necessitando de estudo, novos manejos focados para prevenção e intervenções como o desenvolvimento de “coxins” juntamente com a confecção têxtil da instituição para o melhor posicionamento destes pacientes”,relata.
Conforme Simone, além de prolongar a permanência dos pacientes internados em hospitais, as lesões por pressão aumentam o risco de infecções e o custo do serviço de saúde, podendo também ser causa de reinternações após a alta hospitalar. Por este motivo, o tratamento das lesões e o acompanhamento pós alta hospitalar se faz necessário, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos pacientes portadores destas lesões e diminuir as internações a nível hospitalar. “As lesões por pressão no contexto do coronavírus apresenta-se como uma situação ainda mais desafiadora, pois as alterações decorrentes da infecção expõem o paciente à maior instabilidade, menor oxigenação tecidual, tempo de internação em unidade crítica prolongado e possível dificuldade de reposicionamento, fatores que favorecem o desenvolvimento das lesões, por isso, o cuidado e atenção com a prevenção precisam ser redobrados”.
Quanto ao tratamento das lesões, as enfermeiras ressaltam que depende da da etiologia de cada lesão, mas, que inclui tratamento multidisciplinar e fatores como: redução da pressão, tratamento da dor, controle da infecção local, avaliação das necessidades nutricionais, desbridamentos, produtos, curativos tecnológicos, terapia por pressão negativa e até cirurgia.
Ambulatório de atendimentos para pacientes com lesão por pressão
Desde 2011, o Hospital São Vicente de Paulo tem disponível o Ambulatório do Grupo de Pele que funciona no Ambulatório do SUS, para atender os pacientes provenientes dos municípios que fazem parte da 6ª Coordenadoria Regional de Saúde e que precisam de atendimento em função das lesões. “Atendemos ainda, os pacientes egressos da nossa instituição com algum tipo de lesão como: lesão por pressão, lesão vascular, lesão traumática, lesão oncológicas entre outras. Além disso temos o Ambulatório Central de Curativos que atende os pacientes de forma geral, particular ou convênio, não sendo necessário serem egressos da instituição”, destaca Mariana salientando que o agendamento no Ambulatório Central é através de encaminhamento médico e agendamento. “Nestes atendimentos fazemos avaliação da lesão do paciente, indicamos o tratamento e continuamos o acompanhamento diminuindo o número de internações dos pacientes por estes motivos”.