A Doença Celíaca é uma doença autoimune, que se caracteriza por uma reação exagerada do sistema imunológico ao glúten, proteína encontrada em cereais como trigo, centeio, cevada e malte. O glúten também pode ser encontrado na aveia, devido a contaminação cruzada por meio do uso das mesmas máquinas onde passam os cereais com glúten. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 1% da população mundial é celíaca.
Para a Nutricionista do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), de Passo Fundo, Andreza Ossani, na maioria dos casos a intolerância ao glúten se apresenta na infância, durante os primeiros cinco anos de vida, com diarreia crônica e deficiência de crescimento sem razão aparente, acompanhadas ou não de vômitos, anemia, perda de peso, abdômen distendido, fraqueza e irritabilidade. Além disso, a profissional destaca outros sintomas que também podem ocorrer: diarreia ou prisão de ventre crônica, dor abdominal, danos à parede intestinal, falta de apetite, baixa absorção de nutrientes e desnutrição.
Em pacientes adultos, a nutricionista pontua que pode surgir sintomas não diretamente relacionados com o intestino, como "fadiga crônica, depressão, infertilidade, anemia persistente, osteoporose antes da menopausa, inflamações na pele – como bolhas, vermelhidão e estrias avermelhadas – e, mais raramente, com desordens neurológicas. Há também a possibilidade de a doença celíaca manifestar sintomas leves, o que torna o diagnóstico mais difícil".
Causas, diagnóstico e Tratamento
Segundo Andreza as causas da doença celíaca são genética, imunológica e ambiental, com a ingestão do glúten. "A pessoa herda dos pais a predisposição à intolerância ao glúten, e seu sistema de defesa lesa o intestino delgado e desencadeia a má absorção", explica.
O diagnóstico, por sua vez, é realizado por meio de exame clínico com médico especialista, que irá avaliar os sintomas. Ainda, há alguns exames que podem ser solicitados como biópsia do intestino, por meio de endoscopia, exames de sangue e/ou dieta restritiva sem glúten também podem ser requeridos pelo médico para avaliar a resolução da sintomatologia.
Não existem medicamentos para curar a doença, no entanto, há controle. Andreza ressalta que a intolerância ao glúten é permanente, por isso não tem cura, dessa forma, é necessário retirar completamente o glúten da alimentação para os sintomas desaparecerem. "Uma vez que o paciente tenha removido o glúten da sua dieta, a inflamação do intestino delgado começará a desaparecer dentro de algumas semanas, mas a melhora sintomática é mais rápida, ocorrendo em apenas alguns dias de dieta", frisa. Além disso, a nutricionista destaca que a resolução completa do quadro e a recuperação das vilosidades do intestino podem levar vários meses, ou até anos, dependendo da gravidade. A melhora tende a ocorrer mais rapidamente em crianças do que em adultos. "A melhor escolha para os celíacos é preparar a alimentação sem glúten em casa, optando sempre pela comida de verdade, evitando alimentos industrializados. Caso haja o consumo de alimentos industrializados, é importante observar os rótulos para verificar se há presença de glúten na formulação", orienta Andreza. Em relação ao tratamento medicamentoso, a nutricionista revela que para a doença celíaca é feito quando não há melhora com a remoção do glúten ou melhora temporariamente.
O glúten e a dieta restritiva
Andreza relata que o glúten é a combinação de dois grupos de proteínas: a gliadina e a glutenina, que são encontradas dentro de grão de trigo, cevada e centeio, "mais precisamente no endosperma, a reserva nutritiva do embrião da planta. A aveia entra na lista, pois pode contaminar-se com esses grãos no momento da colheita ou beneficiamento", explica. Nos alimentos, o papel do glúten é auxiliar na manutenção da sua forma, atuando como uma espécie de cola, garantindo maior flexibilidade e uma textura particular.
A substituição do glúten pode ocorrer de diversas maneiras, como pelo milho, farinha de milho, fubá, amido de milho, batata, fécula de batata, mandioca, farinha de mandioca ou polvilho, arroz, entre outros. "Quanto a aveia, por haver possibilidade de contaminação cruzada, recomenda-se o consumo somente de aveia sem glúten (observar rótulo). O auxílio de um nutricionista é imprescindível, pois muitos alimentos que supostamente não são feitos à base de cereais podem ter glúten escondido em sua composição, como sorvetes, iogurtes, chocolates, salsichas, salame, produtos marinados e outros", salienta Andreza.
A profissional frisa que a dieta restritiva, ou seja, que elimina totalmente o glúten da alimentação, só é necessária para quem apresenta algum tipo de reação ao seu consumo, tais como: pessoas com doença celíaca (DC) ou pessoas com intolerância ao glúten. "Pessoas que não apresentam doença celíaca ou intolerância, não precisam retirar o glúten da dieta, pois a restrição não está associada a nenhum benefício para a saúde de acordo com estudos científicos. Ainda, por se tratar de cereais (alimentos fonte de fibras) é necessário compensar a ausência de fibras por alimentos como, legumes, vegetais e frutas para melhorar a função intestinal", pontua.
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