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Doença de Parkinson afeta 1% da população acima dos 65 anos

  • 26/04/2021

A Doença de Parkinson (DP) é a segunda doença degenerativa mais comum, ficando atrás apenas do Alzheimer. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que aproximadamente 1% da população mundial com idade maior que 65 anos convive com o problema, no Brasil, a DP atinge cerca de 200 mil habitantes. Para o médico neurocirurgião do Corpo Clínico do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), de Passo Fundo, Dr. Diego Cassol Dozza, a doença de Parkinson se caracteriza por uma desordem degenerativa do sistema nervoso central. "É crônica e progressiva, ou seja, se mantém por um longo período de tempo e piora durante este período".

Segundo o médico, a causa da doença ainda não é completamente entendida e apesar de haver casos que são ligados a fatores hereditários, a maioria são esporádicos, não possuindo relação com a presença da doença em outros familiares. "Pensa-se que haja uma combinação de suscetibilidade genética e exposição a fatores ambientais que seriam o gatilho inicial para a doença", pontua Dozza.

Para o neurocirurgião a causa direta dos sintomas é, principalmente, a morte ou perda de funções dos neurônios da substância negra, que fica localizada no tronco cerebral. "Estes neurônios produzem a dopamina que é o neurotransmissor responsável pelo nosso movimento mais delicado e com objetivo. Além da dopamina há perda também da norepinefrina, que é o neurotransmissor responsável pelo controle do sistema nervoso simpático, assim podem ocorrer os chamados sintomas não-motores como cansaço e alteração da pressão sanguínea", explica.

Sinais e sintomas

Dozza salienta que a doença tem uma média de início por volta dos 60 anos, porém, de 5 a 10% dos casos pode começar antes dos 50, denominada de Doença de Parkinson de início precoce, ou ainda, de forma mais rara antes dos 20, chamada de DP juvenil. O médico ressalta também que os homens são afetados mais frequentemente do que as mulheres.

De acordo com o neurocirurgião, a DP apresenta quatro sintomas principais:

Tremor: ocorre em repouso ou com estresse, com frequência de quatro a seis vezes por segundo, chamado de “contar de moedas”. Geralmente inicia por uma das mãos e desaparece durante o sono ou com o movimento intencional.

Rigidez: os músculos permanecem com contratura constante e a pessoa sente-se enrijecida. Ao tentar mover o membro afetado, este parece com o movimento de uma roda-dentada.

Bradicinesia: os movimentos tornam-se lentos e a mímica fica sem expressão. As atividades simples ficam mais demoradas.

Instabilidade postural: ocorre perda do equilíbrio e podem ocorrer quedas.

Dozza pontua que os sintomas iniciam geralmente por um dos lados do corpo e não são iguais em todas as pessoas. "Geralmente os familiares percebem antes a diferença nos movimentos.  A face pode ficar sem expressão (amimia), a letra pequena (micrografia), ocorre diminuição do balançar dos braços durante a deambulação e hesitação no início da caminhada. Podem ocorrer outros sintomas, chamados de sintomas não-motores, que podem iniciar até 20 anos antes do aparecimento dos sintomas motores, e podem se manifestar como: depressão, alterações emocionais, dificuldade para deglutir, mudança no tom da voz, alteração urinária, alteração do sono, perda do olfato, demência, dor, fadiga e perda de energia". 

Diagnóstico e tratamento

Dozza explica que o diagnóstico da doença pode ser feito com o auxílio da Tomografia por Emissão de Pósitrons e Tomografia Computadorizada (PET-CT) e a cintilografia com Trodat, pois são mecanismos que demonstram alterações funcionais nos núcleos da base, bem como a ressonância magnética pode demonstrar alterações anatômicas que corroboram com o diagnóstico. "Mas o principal é o exame neurológico bem feito, os exames de imagem e de sangue também servem para excluir doenças que podem imitar a DP", frisa o neurocirurgião.

Em relação ao tratamento o médico afirma haver várias medicações que são utilizadas juntamente com a levodopa, que é a principal droga para o controle dos sintomas. Além das medicações deve ser realizado exercício físico e fonoterapia. Para casos selecionados existe a possibilidade de realizar cirurgia com a colocação de um estimulador cerebral profundo (DBS).

Foto: Dozza é neurocirurgião do Corpo Clínico do HSVP (Foto: Arquivo/Assessoria de Imprensa HSVP)

Foto: Reprodução