A Psoríase é uma doença inflamatória da pele relativamente comum que pode estar associada a doença articular e deformidade permanente na articulação. Ela atinge cerca de 3% da população com incidência genética em cerca de 30% dos casos. O dia 29 de outubro é lembrado como o dia mundial da doença e chama atenção para alguns pontos importantes.
A médica Dermatologista do Corpo Clínico do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, Flávia Pereira Reginatto, fala que a psoríase pode acometer a pele, as unhas, o couro cabeludo e as articulações. “Na pele se apresenta como placas espessadas e avermelhadas de diferentes tamanhos, com escamas branca-prateadas sobre elas. Já nas unhas aparece como espessamento, descolamento e descamação da placa ungueal, muitas vezes se assemelhando com doença fúngica nas unhas, que pode ser uma das suas complicações; ou pequenas depressões puntiformes chamadas de pittings ungueais. No couro cabeludo a psoríase se caracteriza por placas com escamas brancas de intensidade muito variada”, explica.
A psoríase pode apresentar-se em um ou mais locais no mesmo paciente. Para identificar a doença é importante se atentar a alguns sintomas como coceira, sensação de queimação, ou dor nas lesões causadas pela psoríase. Mas o principal sintoma costuma aparecer nas articulações, para quem é acometido neste local, pois a dor e deformidade pioram com o passar do tempo. “Existem diferentes apresentações clínicas, por isso é muito importante avaliar as lesões de pele com um médico dermatologista”, complementa Flávia.
O surgimento dessas lesões costuma estar associado com momentos de estresse e fragilidade emocional, com o período de isolamento social causado pela Covid-19 se espera que haja um aumento de casos e piora de alguns pacientes com psoríase, afirma a profissional do HSVP. Outros fatores que se relacionam com a doença é a obesidade, o frio, por causar ressecamento da pele, exposição ao sol, pois, a queimadura do mesmo pode piorar as lesões e o consumo de bebidas alcoólicas e cigarros podem não só causar, como agravar o quadro da psoríase.
A médica afirma que a doença não é contagiosa.“Isto é muito importante ressaltar: a psoríase não é transmitida de uma pessoa para outra pelo contato. Acredita-se que tenha base genética, pois 30 a 40% das pessoas com psoríase têm alguém na família que também sofre com a doença”, pontua.
Formas de tratamento e prevenção
Segundo a dermatologista, o tratamento se constitui em cremes e pomadas durante os períodos de crise e hidratação dos locais afetados. Para os casos mais extensos é utilizado a fototerapia que, “consiste na exposição da pele à luz ultravioleta de forma consistente e sob supervisão médica”, relata Flávia. Para os casos mais graves, o tratamento sistêmico é o indicado. “Hoje em dia tivemos um avanço muito grande no tratamento da psoríase com o surgimento e maior acessibilidade dos imunobiológicos que são medicamentos injetáveis que conseguem tratar especificamente o local onde a psoríase começa melhorando as lesões de psoríase e a doença articular com efeitos colaterais mais leves que os primeiros imunossupressores utilizados no tratamento”, explica.
O uso de corticoides é contraindicado no tratamento da psoríase, a sua forma em pomada pode ajudar a controlar a doença por curtos períodos, porém, a ingestão do medicamento pode agravar ainda mais o quadro do paciente. A única forma de prevenir essa doença é aderir hábitos de vida saudáveis, isso inclui a saúde mental, controlar o peso, realizar atividades físicas e não consumir bebidas alcoólicas e cigarros.
Aprenda a conviver com a doença
Por se tratar de uma enfermidade que não tem cura e que acomete tanto homens quanto mulheres em proporções semelhantes, é importante aprender a conviver com ela. Algumas recomendações médicas são:
- Visite o seu dermatologista com frequência, ele irá lhe orientar os tratamentos apropriados;
- Mantenha a pele muito bem hidratada, evitando o ressecamento excessivo;
- Exponha-se ao sol ao menos 10 minutos ao dia, porém com moderação e proteção;
- Procure não se desgastar emocionalmente;
- Não se exclua de momentos de lazer e da companhia de pessoas, a psoríase não é contagiosa!
Quanto à faixa etária, a psoríase é dividida em dois grupos: “o Tipo I que tem início precoce, ocorre em pessoas com menos de 40 anos de idade e representa 70% dos casos. Há um pico de incidência entre os 16 e 22 anos de idade. E o tipo II ou de início tardio, quando a psoríase começa em pacientes com mais de 40 anos de idade, neste caso o pico ocorre entre os 57 e 60 anos de idade. Na infância, a psoríase é rara e está ainda mais associada com histórico familiar”, explica Flávia. Portanto há pacientes que convivem a vida toda com algum tipo de psoríase.
Foto: Flávia é Dermatologista do HSVP (Foto: Néia Moresco/Divulgação)
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