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Dia Mundial da Saúde Mental é lembrado em 10 de outubro

  • 09/10/2020

O Dia Mundial da Saúde Mental é lembrado no dia 10 de outubro e visa chamar a atenção aos cuidados com a nossa mente, principalmente em um momento de muita instabilidade, medos e apreensões. Diante de tanta mudança, lutamos contra inúmeros fatores e nos forçamos a uma rápida adaptação desses novos acontecimentos diários. A Psiquiatra do Corpo Clínico do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), de Passo Fundo, Dra. Rita de Cássia Maynart Pereira, define saúde mental como o equilíbrio das nossas capacidades cognitivas, afetivas e comportamentais. “As pessoas que lidam melhor com mudanças, com frustrações e com afetos negativos como tristeza, solidão e raiva; apresentam uma melhor saúde mental. Provavelmente, estes indivíduos conseguirão desenvolver uma resiliência emocional mais eficaz neste momento de pandemia”, pontua a médica.

Rita elenca que os principais transtornos mentais são: transtornos de humor como depressão e transtorno afetivo bipolar, os ansiosos como transtorno de pânico, os psicóticos como a esquizofrenia, os de neurodesenvolviemnto como Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e autismo, os alimentares como anorexia, bulimia, comer compulsivo e os relacionados a substâncias como álcool e drogas.

Quanto aos fatores de risco, a médica explica que a doença psiquiátrica tem origem multifuncional, podendo ser de herança genética (geralmente poligênica), intercorrências médicas na gestação e na primeira infância, traumas emocionais precoces, famílias disfuncionais, maus tratos infantis e violência do meio. Rita pontua que há uma faixa etária específica em que os transtornos podem se desenvolver. “Os transtornos do desenvolvimento já aparecem com clareza na infância. Os transtornos psicóticos geralmente pioram e ganham força clínica na adolescência. Já a depressão e a ansiedade são mais prevalentes na idade adulta e terceira idade”, afirma a profissional.

Ainda, quando um paciente inicia um quadro psiquiátrico, Rita relata que ele sente que está dormindo mal e passa o dia sem energia. “A queixa com diminuição da memória e da concentração é bastante comum. A pessoa pode relatar estar mais sensível, “a flor da pele”. Infelizmente, se a pessoa não procura ajuda logo pode apresentar prejuízos funcionais no trabalho e conflitos interpessoais”, conta. Os maiores impactos dos transtornos mentais na vida adulta podem ser a separação conjugal por conflitos afetivos; desemprego por baixo rendimento, faltas ou atrasos no trabalho. Já na adolescência são a repetência ou evasão escolar, além do uso de drogas. Rita também alerta para o risco de suicídio em todas as idades.

Existem alguns hábitos que podem prejudicar a saúde mental, como o “sedentarismo, distúrbios do sono, estresse profissional, temperamento intolerante e agressivo, violência doméstica, abuso de sustâncias como álcool e drogas”, atenta Rita. No entanto, alguns hábitos podem ajudar a manter a saúde mental saudável como ”atividade física frequente, alimentação saudável, não fazer uso de drogas, rotinas saudáveis como dormir bem, religiosidade e um grupo social de amigos afetuosos, reservar horas do dia para ler, ver filmes, ouvir música e dançar. Ter animais de estimação e hobbys. Se necessário buscar uma psicoterapia como forma de equilíbrio e autoconhecimento”, afirma Rita.

Foto: Rita é médica psiquiatra do Corpo Clínico do HSVP (Foto: Divulgação)