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O que você sente quando está sofrendo?

  • 07/07/2020

Esse é o questionamento que a Psicologia Hospitalar busca compreender diante da abordagem ao paciente, desde o momento que este chega ao hospital. O Serviço de Psicologia Hospitalar do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), de Passo Fundo, coordenado pela Psicóloga Débora Marchetti, juntamente com o Programa de Residência Multiprofissional Integrada em Atenção ao Câncer vinculado ao HSVP, Prefeitura Municipal de Passo Fundo por meio da Secretaria Municipal de Saúde e Universidade de Passo Fundo (UPF), que tem como Coordenadora da Psicologia, Fernanda Busnello, possibilita uma experiência ímpar e complexa em relação aos possíveis cenários de atendimento psicológico no ambiente hospitalar. Vários são os momentos de discussões e estudos de caso para responder essa questão.

A pandemia da Covid-19 trouxe muitas incertezas e nos fez lidar com diversos sentimentos. E é visando entender esse contexto que a Psicóloga Débora Marchetti e a Psicóloga Residente Amanda de Castro Felten do HSVP, fazem uma reflexão sobre o assunto. Para Amanda, o sofrimento se expressa conforme as particularidades que permeiam a vida de cada pessoa. Percebe-se que cada um possui sua forma subjetiva de sofrer e enfrentar suas dificuldades. É papel do profissional psicólogo, assim como da sociedade acolher e reconhecer as diferentes formas em que o sofrimento se expressa. Sendo fundamental validar como um sofrimento genuíno, não minimizando os pedidos de ajuda.

Neste período de pandemia, o sofrimento emocional tem repercutido em todas as esferas do cotidiano, em vista dos cuidados de higiene e o isolamento social. Durante o processo de adaptação as novas rotinas há reações normais e esperadas, entretanto, algumas pessoas acabam apresentando intenso sofrimento psíquico pelo viés patológico como depressão, ansiedade, dependência de álcool, transtorno de pânico, e em casos mais graves pensamentos e atos suicidas.

No âmbito hospitalar os atendimentos por tentativas de suicídio têm sinalizado que um dos desdobramentos da pandemia é o confronto consigo, que exigem o pensar, sendo que este é permeado por sentimentos bons, mas também dolorosos. Nesse encontro consigo enfrentar a própria história, medos, inseguranças e incertezas podem acarretar em atitudes autoagressivas. Para auxiliar a pessoa que está sofrendo busca-se construir um espaço para que se sinta seguro para compartilhar e assim elaborar as diversas formas de sofrer, possibilitando ressignificar sua própria história. Contudo isso só possível com o suporte dos profissionais da área da saúde mental e da rede socioafetiva que envolve família, amigos e a comunidade. Esta última assume um papel social que corresponde a responsabilidade de cada cidadão frente ao sofrimento do outro, podendo ser de apoio e conscientização sobre o assunto ou de exposição agressiva e invasiva através da divulgação de imagens, vídeos, áudios, comentários que incitam o ódio que podem provocar consequências graves. O que você sente quando está sofrendo? Enquanto você busca responder essa questão compreenderá que o sofrimento é a realidade de todos.

Foto: Débora e Amanda atuam no HSVP (Foto: Ascom HSVP/ Scheila Zang)