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CTI Neonatal do HSVP registou 450 internações de prematuros em 2019

  • 29/06/2020

            Quando se descobre a gravidez, a preparação para o recebimento do bebê ocorre de inúmeras formas. Pré-natal, álbum de gestante, enxoval, chá de bebê, planejamento do parto, decoração do quarto, entre outros. No entanto, uma das principais preparações é a passagem pela UTI. Toda mãe espera que seu bebê nasça e vá para casa, mas nem sempre é possível. No mundo, anualmente, são em média 15 milhões de nascimentos prematuros, no Brasil, a taxa de prematuridade, segundo estudo realizado pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz), é de 11,5%. É considerado prematuro o bebê que nasce antes das 37 semanas. Em 2019, a CTI Neonatal do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), de Passo Fundo, registrou 450 internações de prematuros, neste ano, até maio, foram 194 internações.

            Para a Enfermeira Gestora da CTI Neonatal do HSVP, Alessandra Costa da Silva, as causas que desencadeiam o nascimento prematuro do bebê são complicações como pré-eclâmpsia, sendo uma das principais no HSVP, rotura prematura da bolsa amniótica, incompetência do colo uterino, infecção uterina, deslocamento da placenta, além da gravidez múltipla, que, segundo Alessandra, é um fator muito importante, pois, em 2020 o São Vicente registrou um aumento significativo de nascimentos múltiplos. Neste ano, somente de trigêmeos, foram três gestantes que tiveram seus bebês internados na CTI Neonatal. 

            Quanto ao tratamento, Alessandra pontua que depende da comorbidade e idade gestacional do prematuro. “Quanto menor a idade gestacional que ele nasce, requer mais cuidados como ventilação mecânica, NPT (Nutrição Parenteral Total), acesso central, dentre outros”, explica.

            Alessandra relata que a criança que nasceu prematura não pode ser considerada da mesma forma que aquela que nasceu a termo. “O bebê prematuro está em desvantagem frente a um que nasceu em torno das 40 semanas, já que tem que terminar sua maturação fora do útero materno. Grande parte deste período ele passa em uma incubadora de UTI, separado de seus pais”, conta.  Por isso, é permitido o contato prolongado dos pais com o filho, para que o bebê seja beneficiado. O contato é iniciado logo após o nascimento, com horários flexíveis pela manhã, tarde e noite.

Técnicas de humanização

            A CTI Neonatal possui várias técnicas de humanização como musicoterapia, silêncio na unidade, método canguru, que é “ um modelo de assistência ao recém-nascido prematuro e sua família, internado na Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal, voltado para o cuidado humanizado que reúne estratégias de intervenção biopsicossocial”, afirma Alessandra.

            Em relação a amamentação, a enfermeira enfatiza que a mãe pode e deve amamentar o prematuro. No entanto, na maior parte das vezes, ela acaba esgotando o leite materno no Lactário do HSVP e o bebê recebe o leite por sonda, até possuir condições de estimular no seio materno. “Quando isso acontece, temos um fonoaudiólogo que auxilia junto a enfermagem”, destaca.

Estrutura

            A CTI Neonatal possui 20 leitos e mais oito leitos de Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Convencional (UCINCo). Alessandra explica que praticamente estão sempre lotados, em função da Central de Regulação de Leitos de UTI do estado. “Quando temos leito vagos, são disponibilizados para essa Central, que caso precise, encaminha gestantes com risco de o bebê nascer prematuro ou bebês que já nasceram e necessitam de leito de UTI, de outras cidades do estado”, explica.

            Atualmente, é possível a sobrevida de prematuros com idade e peso cada vez menores, em função das unidades neonatais modernas e equipadas com recursos humanos especializados e tecnologias complexas.

Mãe de UTI

            Mãe de trigêmeos, Letícia Dalmagro dos Santos viveu a experiência de ser mãe de UTI triplicada. Os bebês nasceram em 07 de abril e permaneceram 41 dias na CTI Neonatal. Durante todo o período de gravidez, Letícia conta que estava preparada, já tinha noção do que era ser mãe de UTI. “Tive a sorte de contar, virtualmente, com a amizade de uma mãe de trigêmeos, quando ainda estava com eles internados na CTI. Ela foi meu norte e por mais de seis semanas me situava e me contava da sua rotina e da evolução dos seus bebês. Através dela, mesmo de casa, já vivenciava o dia a dia da CTI e dos bebês prematuros”, conta.

             A rotina na CTI Neonatal é intensa, mas Letícia relata que sempre teve um pensamento em relação as pessoas que a deixava tranquila. “As pessoas estão no lugar que estão porque sabem o que estão fazendo. Desde a nossa chegada ao Hospital procurei ver em cada pessoa que cuidava dos nossos bebês, essa confiança e o amor pelo que estavam fazendo”, pontua. “Pensava a todo tempo que os nossos bebês estavam no melhor lugar que poderia estar, e quem estava com eles, sabia o que estavam fazendo”, explica.

 

            Letícia conta que a troca de experiência e convivência com outras mães também foi muito importante durante o período que os bebês estiveram internados. “A convivência com as mães na sala de coleta era como um SPA no meio a um turbilhão de preocupações, trocamos experiências e as vivencias do dia a dia. Acho que estando lá, acabávamos sendo mais sensíveis e criando empatia com as outras, todas com as suas lutas, suas conquistas, acabava que o apoiar, dar uma palavra de conforto, às vezes, só o ouvir, fizeram com que os dias ficassem mais leves”, relembra. São momentos que ficaram marcados e serão levados para a vida. “Muitas vezes ia para lá triste, acabava ouvindo a história de alguma mãe e voltava pensando que às vezes os nossos motivos de angústia são pequenos e eu me colocava no lugar dessas mães, rezava por elas. Foram muitas amizades que criamos e vão continuar fora do Hospital”, conta.

Foto: Em 2019 a CTI Neonatal registrou 15 internações a mais, em relação a 2018 (Foto: Ascom HSVP/ Scheila Zang)