Em meio a Pandemia, medos e incertezas precisamos prestar atenção nos detalhes que demonstram que a esperança deve perseverar e que juntos vamos ter dias melhores. Nesta semana, esses sinais ficaram visíveis nos olhos brilhantes e curiosos do pequeno Miguel Artuso, que em seu primeiro dia de vida, desperto, acompanhava a mãe, Jéssica Pedroso Ivo, em sua sessão de hemodiálise. Em meio a pacientes de máscaras e toda a tensão que vive a casa de saúde no enfrentamento ao Coronavírus, a cena da mãe fazendo hemodiálise e amamentando o seu pequeno foi sinal de calmaria, de esperança e vitória.
Jéssica realiza hemodiálise no Serviço de Terapia Renal Substitutiva do Hospital São Vicente de Paulo, de Passo Fundo, há cinco anos. Com 28 anos, tinha o desejo de ter mais um filho, já que é mãe de uma menina de 10 anos. A gravidez não é indicada a pacientes renais crônicos pelos riscos de complicação. Mas, em conjunto com a equipe médica, mudando rotinas e medicações, Jéssica optou por engravidar. “Fiquei sabendo que estava grávida em um dia 06, e no dia 06 de abril ele nasceu. A gestação foi muito tranquila. Não tive intercorrências e o que mudou foi um pouco a rotina, em função de que passei a fazer as sessões de diálise de segunda a sexta”, conta a mãe, relatando ainda a surpresa no parto. “Vim para fazer a hemodiálise e comecei a sentir contrações. Fui para a Maternidade e logo ele nasceu, de parto normal, tudo muito tranquilo”.
Miguel nasceu às 13h20min, pesando 2,855 kg e 47 cm. No dia 07, na Hemodiálise com a mãe, encantou equipes e pacientes, ao mamar e ficar prestando atenção em tudo o que falavam. “Ele é um presente, é vida. Todos me diziam, como assim vai ter filhos, e ele é prova de que é possível quando acreditamos”, evidencia.
O médico Nefrologista do Corpo Clínico do HSVP, Dr. Guilherme Dorigo explica que a gestação não é recomenda para pacientes em hemodiálise pois, há um risco maior de abortos de repetição. “No caso da Jéssica, iniciamos o pré-natal desde o início da gestação, com um acompanhamento maior. Do ponto de vista da hemodiálise também fizemos alterações, ela passou a dialisar diariamente, porque alguns marcadores são muito maléficos para a gestação. Além disso, as medicações foram trocadas para o melhor andamento da gestação”, esclarece o médico, pontuando que existia uma preocupação e um cuidado maior, já que pela doença renal de Jéssica, a gravidez era de risco. “A coragem e comprometimento da Jéssica são admiráveis. Sabemos que a gestação por si só em uma paciente hígida já envolve grandes dificuldades e ela nunca foi uma paciente de muitas queixas, ela sabia das limitações, que seria difícil e encarou de uma forma muito positiva”, valorizou o especialista.
Em relação a amamentação, Dorigo explica que as medicações foram adaptadas e o bebê pode mamar normalmente. “A positividade da Jéssica, sua força de vontade, de superação chama a atenção e é motivo para repensarmos as nossas atitudes do dia a dia. É um exemplo de esperança em meio a este momento de Pandemia”.
Foto: Equipe acolheu e parabenizou Jéssica pela chegada do pequeno Miguel (Foto Assessoria de Comunicação HSVP/Caroline Silvestro)
Foto 2: Mãe e filho estão bem e já tiveram alta do hospital (Foto Assessoria de Comunicação HSVP/Caroline Silvestro)