• Unidade Teixeira Soares: (54) 3316-4000 |
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As estratégias de combate ao inimigo invisível

  • 06/04/2020

No início de 2020, após desavenças políticas entre Irã e Estados Unidos, levantou-se no mundo, o medo de uma 3ª Guerra Mundial. Mal sabíamos naquele momento, que logo estaríamos diante de uma guerra, porém, sem armas e com um inimigo incomum para todo o mundo. O vírus COVID-19, que teve os primeiros casos registrados na China, em dezembro de 2019, alastrou-se rapidamente por vários países e fez com que em 11 de março de 2020 a Organização Mundial da Saúde declarasse a infecção causada pelo novo coronavírus (como ficou conhecido) pandemia.  O Brasil registrou seu primeiro caso em 26 de fevereiro, o sinal de alerta que estava em amarelo em todos os profissionais e estabelecimentos de saúde passou a ser vermelho, e estratégias mais severas de combate e prevenção da infecção pelo novo vírus iniciaram. 

No Hospital São Vicente de Paulo em Passo Fundo, maior hospital do interior do Rio Grande do Sul, os infectologistas e especialistas da área já monitoravam a situação do vírus desde seu surgimento. Com a pandemia e registros de casos no país, passaram a intensificar as estratégias de enfrentamento. Conforme a Dra. Cristine Pilati Pileggi Castro, Vice-diretora Técnica Médica, e Coordenadora do Comitê de Gerenciamento de Crise para o Enfrentamento do Coronavírus do HSVP, criado para enfrentar a doença, o mundo está lutando contra um inimigo invisível, que tem feito várias vítimas e é necessário pensar as estratégias, táticas e soldados para vencê-lo. “Começamos a pensar nos espaços para atendimento e tratamento, equipamentos, EPIs e pessoas ainda em fevereiro. Em seguida iniciamos com os protocolos e fluxos de atendimento, bem como, organização de medidas para o combate e de capacitação e proteção da equipe de trabalho”, salienta a infectologista. 

Todos esses processos e trabalhos são o suporte para os profissionais de saúde atenderem a população. Atrás da chamada “linha de frente”, existe um outro grande pelotão envolvido em diversos processos, para que cada batalha seja vencida. “Pensamos desde a chegada de pacientes suspeitos, casos leves e graves, até um possível óbito. Além disso, todos as rotinas e insumos de higienização e limpeza foram reforçados. Os exames e transporte de pacientes tiveram que ser cuidadosamente pensados. Ainda, a equipe multiprofissional, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas e todas as outras áreas tiveram que organizar as rotinas”, relata a Dra. Cristine, evidenciando que, o Hospital segue atendendo casos graves, emergências e urgências, o que demanda equipes e estratégias para a proteção destes pacientes. “Quando falamos em atendimento lembramos da Enfermagem e da Medicina em primeiro momento, porque sim, são fundamentais, mas, temos uma grande e complexa estrutura envolvida de trabalho que é indispensável. Por exemplo, não poderíamos atender se não houvesse higienização, alimentação e outros tantos processos. Vale ressaltar, que, a Confecção Têxtil da Instituição tem assumido um importante papel, liderando equipes internas e de empresas voluntárias na aquisição, transporte e produção de máscaras cirúrgicas e aventais usados pelos profissionais”. 

Equipes treinadas 
Os profissionais que atuam no Hospital São Vicente atuam nas mais diferentes frentes, atendendo a grande gama de casos complexos diariamente. Porém, como o COVID-19 é um novo inimigo, todas as equipes receberam capacitações e orientações, organizadas pelo Comitê de Gerenciamento de Crise, Setor de Desenvolvimento de Pessoas e o Serviço Especializado de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) da Diretoria Corporativa de Recursos Humanos, Serviço de Controle de Infecção Hospitalar e Núcleo de Vigilância Epidemiológica Hospitalar. Todas as orientações repassadas são baseadas em protocolos internos e nas definições e orientações do Ministérios da Saúde e Organização Mundial da Saúde. “As capacitações têm por objetivo primeiramente fornecer informações e preparar os profissionais, especialmente da linha de frente, sobre esse novo patógeno e as formas gerais de contágio e prevenção, proporcionando aos mesmos uma consciência integral sobre os cuidados e procedimentos a serem adotados. Já para a equipe de saúde ocupacional, o foco é concentrado na proteção dos colaboradores e prevenção do contágio no ambiente de trabalho. Para isso os trabalhadores foram reunidos, em pequenos grupos, in loco ou em salas de treinamento e preparados e orientados sobre a utilização correta de equipamentos de proteção individual, previstos nos protocolos do Ministério da Saúde, assim como os cuidados gerais para eliminar a possibilidade de contaminação”, explica a médica do Trabalho, Coordenadora do SESMT, Dra. Deise Terra Afonso, relatando ainda que, durante os treinamentos os colaboradores também tiveram a oportunidade de esclarecer suas dúvidas gerais nos cuidados em casa, com filhos e principalmente com os seus familiares idosos, já que são a população de maior risco. “Observamos que após essas orientações, os trabalhadores do HSVP se mostraram mais confiantes para desempenhar suas atividades laborativas comprovando que a informação é a melhor forma de prevenção”.

Estrutura
Para o atendimento dos pacientes com suspeita ou confirmados de Coronavírus, o Hospital possui uma Unidade Especial de Tratamento de Doenças Infecciosas (UETDI) com 10 leitos, mais 25 leitos de retaguarda e quatro leitos de Unidade de Terapia Intensiva com pressão negativa. “Este filtro permite que o ar de um ambiente não se misture com o de outros, evitando assim, a circulação do vírus em outros ambientes do hospital”, revela a Dra. Cristine. 

Além disso, a Instituição tem se organizado em relação aos EPI’s, pois, assim como em outros lugares do país e no mundo, há indisponibilidade de insumos para produção ou de produtos acabados, o Hospital monitorando constantemente este cenário. “Através de iniciativas próprias e através de várias parcerias externas voluntárias com empresários, pessoas físicas, Ministérios Público do Trabalho e Federal e da Universidade de Passo Fundo, está buscando matéria-prima e confeccionando máscaras cirúrgicas e aventais. Também estamos recebendo doações de empresas e comunidade, o que é muito bem-vindo e importante neste momento”. 

Linha de frente de combate
É na Emergência e Pronto Atendimento do Hospital São Vicente que chegam os casos graves, suspeitos ou confirmados de Coronavírus. Um fluxo de atendimento foi montado para separar a chegada de pacientes com sintomas respiratórios de outros casos. Ainda, a UETDI foi instalada próxima a Emergência, facilitando o rápido atendimento destes pacientes. Conforme a Coordenadora da Emergência, Dra. Laura Zaparoli Zanroso, esta linha de frente é responsável pelo primeiro atendimento e precisa estar preparada para tudo, pois, como não se tem muito conhecimento sobre o COVID-19, a atenção e cuidados aos detalhes são fundamentais. “A Emergência é um lugar de incertezas, todo mundo que trabalha na linha de frente sabe que não tem como esperar pelas coisas, muitas vezes somos surpreendidos. Com essa pandemia, a incerteza e a insegurança são maiores, pois estamos diante de uma situação complexa e difícil, especialmente, no momento em que, inclusive, também estamos afastados das nossas pessoas queridas. Mais do que nunca quem trabalha nessa linha frente precisa ser valorizado e tratado com carinho e humanização, porque todos estão envolvidos ao máximo para cuidar das pessoas”, ponderou a Dra. Laura.  

Pelotão da Enfermagem apostos para o atendimento 
Um dos maiores grupos de trabalho no enfrentamento ao Coronavírus é a Enfermagem. Entre técnicos, auxiliares e Enfermeiros são aproximadamente dois mil profissionais no Hospital. Todos, estão sendo treinados e retreinados sempre que editados novos protocolos e informações. “As Gerências de Enfermagem das duas unidades do Hospital estão trabalhando conjuntamente e ativamente no processo de preparação das equipes de trabalho com foco no enfrentamento da pandemia do COVID-19. Estamos mobilizados, também, juntamente com as demais equipes do Hospital para prestar o melhor atendimento possível para os pacientes e suas famílias”, destacam José Olavo Lupatini Filho, Gerente de Enfermagem da Unidade Teixeira Soares e Márcia Ferrão, Gerente de Enfermagem da Unidade Uruguai no HSVP, ressaltam ainda que, os profissionais seguem as recomendações gerais para organização dos serviços de saúde e preparo das equipes da enfermagem disponibilizadas pelo COFEN. “Onde há vidas, há enfermagem, por isso, vamos enfrentar com coragem esse desafio que o novo coronavírus está nos impondo”. 

O suporte da comunidade é valioso
Nesta Pandemia de COVID-19, o envolvimento da comunidade tem sido uma excelente arma para o combate da doença. Em primeiro lugar a responsabilidade de ficar em casa e as práticas de higiene que permitem que a doença não se dissemine. E em um segundo momento, temos os voluntários e pessoas que se doaram ou entraram materiais que irão ser usados na Pandemia. Empresas doando valores em dinheiro e produtos, costureiras oferecendo seu trabalho e universidades disponibilizando conhecimento. Toda essa união só traz benefícios para que menos pessoas sejam afetadas e o problema acabe logo. 

Nascemos em meio a uma pandemia

O Hospital São Vicente de Paulo foi criado em 1918 por grupo de católicos Vicentinos que na época, diante da temida Gripe Espanhola, viram a necessidade da criação de um hospital.

Em 2009, o país enfrentou a epidemia de Gripe A (H1N1). Frente a algo desconhecido, os profissionais do Hospital encaram o desafio e foram pioneiros, mudando o protocolo de atendimento e dando um novo destino às pessoas acometidas pela H1N1. Foram 367 pacientes atendidos, destes, 24,79% foram casos confirmados para Influenza A (H1N1). 

Pouco mais de 100 anos depois da primeira pandemia e 10 da epidemia de H1N1, a casa de saúde se vê diante de uma nova pandemia, que assusta e preocupa, porém, este histórico de bravura ao enfrentar situações semelhantes dá força para enfrentar este novo desafio com fé, competência, engajamento e força de seus profissionais.

 

Foto: Unidade Especial de Tratamento de Doenças Infecciosas (UETDI) possui 10 leitos para cuidados com os pacientes suspeitos e ou confirmados de COVID-19 (Foto Assessoria de Comunicação HSVP/Scheila Zang)

Foto 2: Hospital possui quatro leitos de CTI com pressão negativa (Foto Assessoria de Comunicação HSVP/Caroline Silvestro)