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Março Azul Marinho visa a prevenção e combate ao Câncer Colorretal

  • 27/03/2020

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que em 2020, no Brasil, haja 40.990 novos casos de Câncer Colorretal, também conhecido como Câncer de Intestino ou Câncer de Cólon e Reto. A neoplasia é a segunda com maior incidência em mulheres e a terceira em homens. Em 27 de março, lembra-se o Dia Nacional do Combate ao Câncer de Intestino, por isso, o Março Azul Marinho é o mês dedicado para prevenção e combate dessa doença.

Para o Oncologista Gastrointestinal do Instituto do Câncer do Hospital São Vicente de Paulo de Passo Fundo, Luis Alberto Schlittler “o câncer de intestino é tratável, e na maioria dos casos, curável, se detectado precocemente, quando ainda não se espalhou para outros órgãos”. A região Sul é a de maior incidência no Brasil, conforme o médico, a doença atinge pessoas acima de 60 anos, no entanto, estatísticas mostram um aumento de 30% de casos em pacientes com menos de 50 anos. 

Fatores de risco e sintomas

Alguns dos fatores de risco que estão relacionados ao desenvolvimento da doença são: idade igual ou acima de 50 anos, obesidade, alimentação inadequada, consumo excessivo de carnes processadas e carne vermelha, tabagismo e consumo abusivo de bebidas alcoólicas, além de histórico familiar e doenças inflamatórias do intestino, como retocolite ulcerativa crônica e doença de Crohn.

Schlittler afirma que em fase inicial a doença não causa sintomas, e somente a colonoscopia, exame de prevenção, consegue detectar. No entanto, há alguns sintomas que podem servir de alerta: sangue nas fezes, alteração de hábito intestinal (diarreia e prisão de ventre alterados), dor ou desconforto abdominal, fraqueza e anemia, perda de peso sem causa aparente, alteração na forma das fezes, fezes muito finas e compridas. 

O médico salienta que, na maior parte das vezes, esses sintomas não são causados por câncer, mas “é importante que eles sejam investigados por um médico, principalmente se não melhorarem em alguns dias”, avalia.

Diagnóstico, tratamento e prevenção

Segundo Schlittler, o diagnóstico ocorre por meio de biópsia, exame de um pequeno pedaço de tecido, que é retirado da lesão suspeita. “A retirada desse fragmento do tumor é por meio da endoscopia do intestino grosso, a colonoscopia”, pontua. 

Para maiores chances de tratamento, o diagnóstico precoce é fundamental para encontrar um tumor em fase inicial. “Existem muitos exames interessantes, mas o que se encaixa com maior facilidade e chances de diagnóstico é a colonoscopia, avaliação endoscópica interna do intestino grosso”, ressalta Schlittler. A Organização Mundial da Saúde preconiza o rastreamento do Câncer de Cólon e Reto em pessoas acima de 50 anos, por meio da colonoscopia. É através desse exame que é possível avaliar a presença ou não do câncer, além de pesquisar e retirar em pacientes de risco pequenas verrugas que se formam na parte interna do intestino, os pólipos. 

Schlittler explica que a cirurgia é o tratamento inicial, onde se retira a parte do intestino acometido e os gânglios linfáticos, que são pequenas estruturas que fazem parte do sistema de defesa do corpo. Além disso, outras etapas do tratamento, conforme o médico, incluem radioterapia associada ou não a quimioterapia para diminuir a possibilidade de retorno do tumor. 

O oncologista gastrointestinal salienta que o tratamento depende principalmente do tamanho do câncer, localização e extensão do tumor. “Quando a doença está espalhada, com metástases para o fígado, pulmão ou outros órgãos, a chance de cura existe, mas fica bem reduzida”, relata Schlittler. Após o tratamento é indispensável a realização do acompanhamento médico para monitoramento de recidivas ou novos tumores.

Cerca de 10% dos casos são hereditários, porém a maioria são atribuídos a fatores externos modificáveis, que incluem de forma geral bons hábitos de vida. Para o médico, a manutenção do peso corporal adequado, prática de atividade física e alimentação saudável são fundamentais para a prevenção do câncer colorretal.

Uma alimentação saudável é composta, principalmente, por alimentos in natura e minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, cereais integrais, feijões e outras leguminosas, grãos e sementes. De acordo com Schlittler, esse padrão de alimentação é rico em fibras e além de promover o bom funcionamento do intestino, ajuda no controle do peso corporal. “Manter o peso dentro dos limites da normalidade e fazer atividade física, movimentando-se diariamente ou na maior parte da semana, são fatores importantes para a prevenção deste tipo de câncer”, afirma o especialista. 

Outro fator que Schlittler destaca é em relação ao sangramento intestinal, principal sintoma do câncer de intestino e frequentemente confundido ou atribuído a hemorroidas. “A presença de sangue nas fezes sempre deve ser avaliada por um médico de sua confiança’, salienta.

Foto: Dr. Luis Alberto Schlittler é Oncologista Gastrointestinal do Instituto do Câncer do HSVP (Foto: Ascom HSVP/ Arquivo)