Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), no mundo, cerca de 500 mil pessoas morrem anualmente por doenças cardiológicas devido ao consumo de gordura trans, e pelo menos cinco bilhões de pessoas convivem com o risco de desenvolver algum tipo de doença associada ao ingrediente. A gordura trans é encontrada em alimentos industrializados e, conforme a Nutricionista do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), de Passo Fundo, Andreza Ossani, o produto é usado para eliminar odores indesejáveis nos produtos finais, dar textura e aumentar o prazo de validade dos alimentos.
A gordura trans está presente na maioria dos alimentos industrializados como “sorvetes, batata frita congelada, hambúrgueres, salgadinhos, biscoitos recheados, margarinas, pães e similares, pipoca de micro-ondas, macarrão instantâneo, entre outros”, pontua a nutricionista. Além disso, Andreza salienta que “a forma de preparo de alguns alimentos pode transformar gordura em trans, como por exemplo, quando a gordura animal é exposta a altas temperaturas”.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) publicou em 26 de dezembro a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 332/2019 que, a partir de três etapas, visa banir a gordura trans até 2023. Andreza esclarece que num primeiro momento a regra se aplicará a produção de óleos refinados, onde poderá utilizar no máximo 2% do produto e deverá ser aplicada até julho de 2021. Depois, “todos os gêneros alimentícios estarão limitados a presença de 2% de gordura trans. Em janeiro de 2023, todas as empresas fabricantes de alimentos deverão adequarem-se à norma de exclusão total deste ingrediente”, destaca.
Andreza acredita que a medida visa proteger a saúde da população, “uma vez que o consumo elevado dessas gorduras é nocivo à saúde por favorecer o surgimento de problemas cardiovasculares, como o entupimento de artérias que irrigam o coração e aumentar o risco de morte por essas doenças”, afirma. Para a OMS, a gordura trans aumenta o risco de doenças cardíacas em 21% e as mortes em 28%, pois o consumo do produto está associado ao aumento do colesterol ruim (LDL) e a degradação do colesterol bom (HDL), e, ainda, há o aumento da incidência da obesidade o que também pode aumentar a chance de doenças hepáticas e do sistema nervoso central.
A nutricionista orienta que a melhor forma de evitar o consumo desse tipo de gordura é “consumindo alimentos naturais, optando por fazer trocas mais saudáveis. Quanto menos processado ou ultraprocessado for o alimento, melhor será nossa saúde. “Descascar mais e desembalar menos””, frisa.
Foto: A gordura trans é encontrada principalmente em produtos industrializados como batata frita, hambúrgueres, sorvete e outros (Foto: Divulgação)