Os rins são responsáveis por manter o equilíbrio da água e sais do nosso corpo, além de atuar na eliminação de substâncias que são metabolizadas pelo organismo. Conforme a International Kidney Cancer Coalition, o Câncer Renal é o que mais vem crescendo no mundo, anualmente, são diagnosticadas 338 mil pessoas com a neoplasia. No Dia Mundial do Rim, o alerta é feito para essa doença silenciosa e responsável por cerca de 3% das patologias malignas que atingem os adultos. Muitas vezes, a lesão no rim é descoberta quando o paciente realiza um exame para outra finalidade, como um ultrassom do abdome, já que não existem exames de rastreamento, como, por exemplo, a mamografia para o Câncer de Mama.
Para o Oncologista e médico do Instituto do Câncer do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), de Passo Fundo, Dr. Nicolas Lazaretti, “muito pouco se conhece sobre o câncer renal, mas há a suspeita de que alguns fatores possam contribuir para desencadear esse processo, como pacientes que realizam diálise crônica, portadores de Von Hippel-Lindau (doença hereditária), uso prolongado de analgésicos (durante anos, todos os dias), tabagismo, obesidade, entre outros”.
Fatores de risco
Lazaretti afirma que “os fatores de risco aumentam a probabilidade de se desenvolver a doença, mas não garante que ela venha a ocorrer”. Para o Câncer de Renal, alguns dos fatores podem ser:
• História na família de vários casos de câncer no rim
• Portador de insuficiência renal com doença policística
• Indivíduo que fuma mais de uma carteira de cigarro por dia
• Exposição ocupacional por vários anos, a substâncias químicas industriais, como produtos de petróleo, metais pesados e asbesto
• Obesidade
Tipos
Conforme Lazaretti, o Câncer Renal pode se distribuir em cinco tipos principais de neoplasias:
• Carcinoma Renal de Células Claras que compreende 70 a 90% dos casos
• Carcinoma Papilar que compreende 10 a 15% dos casos
• Carcinoma Renal Cromófobo que compreende 4 a 5% dos casos
• Ductos Coletores que compreende 1% dos casos
• Sarcomatóides que compreende 1% dos casos
Sintomas
Segundo Lazaretti, o câncer de rim não apresenta sinais, nem mesmo sintomas inicialmente, mas em fases avançadas podem aparecer: fraqueza, anemia, dor lombar persistente a vários tratamentos, emagrecimento sem motivo evidente, presença de tumoração no abdômen, fratura de um osso sem causa aparente, febre de causa não conhecida, hematúria (presença de sangue na urina).
Diagnóstico, tratamento e prevenção
Inicialmente, o diagnóstico é realizado através de um exame de tomografia do abdome, que “irá demonstrar a presença de um nódulo ou massa no rim com características muito suspeitas de câncer”, avalia Lazaretti, porém, o médico destaca que somente com o exame anatomopatológico, após a cirurgia, ou biopsia haverá a confirmação da doença.
Em relação aos tratamentos, “nos casos de doença localizada e que traz altas chances de cura, o principal é a cirurgia com a retirada de parte ou de todo o rim afetado”, afirma o médico. Já para aqueles que possuem metástase, “a cirurgia pode ser realizada em alguns casos, mas esse paciente, normalmente, precisará de tratamento com medicamentos para combater o câncer”, frisa Lazaretti. Os medicamentos mais efetivos no combate ao câncer de rim são os tratamentos imunológicos.
A melhor maneira de prevenir é a mudança nos hábitos de vida, como controle do peso, exercícios físicos, não fumar, dieta balanceada, não exagerar no uso de analgésicos e, para as famílias com muitas pessoas com casos de câncer de rim, o médico orienta a procura de um geneticista para verificar se não há uma síndrome genética que possa aumentar o risco de desenvolver essa doença.
Foto: Câncer Renal é silencioso e de difícil diagnóstico em suas fases iniciais (Foto: Divulgação)
Foto: Dr. Nicolas Lazaretti é Oncologista e médico do Corpo Clínico do HSVP (Foto: Ascom HSVP/ Divulgação)