A direção, Superintendência e Diretores de áreas do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, receberam na segunda-feira, 17 de fevereiro, a visita da Comissão do Câncer Infantil e Adolescente no Rio Grande do Sul (CECIA). O presidente do colegiado de 22 deputados, Dr. Thiago Duarte (DEM) conheceu o Centro Oncológico Infantojuvenil do HSVP, que é um dos sete centros referência para o atendimento do Câncer Infantojuvenil no estado.
Na oportunidade o médico oncologista pediátrico Dr. Pablo Santiago apresentou os dados e o trabalho realizado na instituição. Atualmente, 131 crianças estão em tratamento e acompanhamento, sendo que em 2019, 42 novos casos chegaram ao Centro. “Trabalhamos intensamente para que as crianças tenham um diagnóstico precoce e que tenham atendimento em um centro especializado como nosso. Existem várias pesquisas que mostram que os índices de cura são maiores quando os casos são tratados em centros habilitados, com protocolos e profissionais especialistas”, pontuou Pablo, evidenciando que a área de referência do Centro Oncológico é 230 municípios, porém até hoje, foram atendidos casos de 94. “Os pacientes não estão sendo encaminhados para o serviço especializado, estão represados em alguma outra cidade ou hospital que não é um dos sete centros referenciados”.
Ainda, o Superintende Executivo do HSVP, Ilário De David, juntamente com o presidente José Miguel Rodrigues da Silva e a Diretoria Técnica Médica apresentaram o projeto da ala de internação para as crianças e adolescentes em tratamento oncológico. A área de 400m² e 18 leitos de internação foi pensada para o melhor atendimento e conforto desses pacientes, sendo a necessidade do Centro neste momento. “Hoje já possuímos uma estrutura ambulatorial montada, equipe especializada, suporte tecnológico, o que necessitamos é desta ala de interação que vai melhorar ainda mais o atendimento. Temos o projeto e estamos indo em busca de recursos”, pontuo De David.
Ao final da visita o Deputado Dr. Thiago fez uma avaliação sobre o que viram durante a visita. “Fiquei muito impressionado positivamente com o hospital. O que percebi é que existe um problema de gestão estadual na questão da Oncologia Infantil, uma necessidade de se revisar as questões em relação aos encaminhamentos. É preciso ser menos burocrático e visar o tratamento das crianças e, com isso, as crianças tem que ter um acesso mais facilitado aos sete Centros de Oncologia Pediátrica”, ressaltou o parlamentar, complementando que vê também a importância de motivar e valorizar que o estado pague somente aqueles hospitais que tem Oncologista Clínico e protocolos, sendo que os demais teriam um fluxo facilitado a estes sete hospitais.
Sobre a ala de internação para as crianças e adolescentes em tratamento, o Deputado Estadual disse que essas “reformulações e reformas são necessárias para que as crianças possam ser melhores tratadas. Vejo que a questão da ala infantil é uma necessidade para melhorar o atendimento das crianças e poder potencializar aqueles recursos que já se tem aqui no hospital. Acho que para poder se tratar a criança adequadamente no local certo, diminuindo a mortalidade infantil, aumentando a sobrevida e diminuindo as sequelas, deve ser feito o atendimento no local adequado, especializado, para isso, precisa-se ter uma melhor retaguarda para esses pacientes”, concluiu Dr. Thiago, demonstrando apoio ao projeto.
Objetivos da Comissão Especial do Câncer Infantil e Adolescente no RS
“Temos por ano, em dados oficiais, mais de 600 casos novos de câncer infantil, pelas tendências estatísticas que temos apreendido este número pode chegar a 1200 novos pacientes por ano. Muitas destas crianças não chegam aos leitos disponíveis em centros de referência o que diminui a sobrevida e aumenta a morbidade” informa Dr. Thiago. Segundo o Instituto do Câncer Infantil as crianças tratadas nos centros de referência têm um resultado positivo no tratamento mais alto, chegando a 70% a sobrevida destes pacientes, para as crianças tratadas fora dos centros de referência a sobrevida cai para 30%. “Precisamos mudar o fluxo dos pacientes, levarmos mais informação ao atendimento básico sobre os primeiros sintomas” concluí o parlamentar.
A comissão pretende a partir da finalização do relatório final fazer encaminhamentos que atendam pacientes e instituições voltadas para a Oncologia Pediátrica. "Não precisamos de bilhões de reais, mas precisamos de vontade política e organização. Muitas crianças com câncer seguem morrendo à toa ou para satisfazer interesses locais. Precisamos mostrar essa realidade e modificá-la" afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica.
Foto: O presidente da Comissão conheceu dados e estrutura do hospital para o atendimento do câncer infantojuvenil (Foto Assessoria de Comunicação HSVP/Caroline Silvestro)