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Hospital São Vicente possui único Banco de Tecidos Musculoesquelético do estado

  • 05/12/2019

Com o único Banco de Tecidos Musculoesquelético (BTME) em atividade no estado, o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), de Passo Fundo, mantém a característica de pioneirismo. Foi o primeiro hospital no país a organizar um Banco de Tecidos, em 1981. Na época, sem uma regulamentação específica e pouca literatura disponível, foi necessário buscar referências internacionais, como o Banco de Tecidos de Moscou e publicações cubanas, adequando-se a realidade local. A partir do surgimento de outros Bancos de Tecidos Musculoesqueléticos pelo Brasil, os órgãos reguladores, Ministério da Saúde, Sistema Nacional de Transplantes e Agência Nacional de Vigilância Sanitária, tiveram a necessidade de criar legislações para adequação sanitária, de infraestrutura e gestão para esses serviços. Assim, em 2002, a partir desta regulamentação, os Bancos de Tecidos passam a serem oficialmente instituídos e submetidos a inspeções regulares para a manutenção do seu funcionamento. Após as adequações necessárias, o BTME do Hospital São Vicente, em 2005, recebe autorização para o seu funcionamento conforme os padrões exigidos.

Desde 2005 até o final de novembro deste ano, o BTME já disponibilizou tecidos para 5.953 procedimentos cirúrgicos na área de Ortopedia e Odontologia (implantodontia, periodontia e bucomaxilofacial). Neste ano, até novembro, foram 37 doadores, destes nove são doadores falecidos e 28 doadores vivos, totalizando 96 segmentos ósseos. Foram 291 tecidos para odontologia e 152 tecidos para ortopedia. Em relação às córneas, foi registrado 51 doadores, totalizando 102 córneas, destas doações, 12 transplantes foram realizados no HSVP.

O processo de captação dos doadores se dá através da identificação do potencial doador nas unidades de internação. “Após a constatação do óbito, o enfermeiro de cada unidade solicita avaliação desse possível doador ao Banco de Tecidos, Organização Por Procura de Órgãos e Tecidos (OPO) e Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT)”, pontua o Enfermeiro Gestor do Banco, Maurício Luciano Zangirolami. Assim, se não há critérios clínicos que excluam a doação, são realizados a entrevista com a família, posteriormente preenchimento e assinatura do termo de consentimento da doação, coleta do kit para realização de exames sorológicos e exame físico do doador. “Os segmentos só serão captados mediante avaliação dos resultados dos exames sorológicos e autorização do responsável técnico do BTME”, explica Maurício.

Os segmentos ósseos e tecidos podem ser usados para a realização de cirurgias e transplantes como ressecção de tumores ósseos, revisão de artroplastias de joelho e quadril, reconstrução ligamentar, correção de deformidades ósseas (maxilar, mandibular e da coluna) e correções de fraturas ósseas. Esses segmentos ósseos e tecidos vem de doadores vivos e falecidos, sendo armazenado a cabeça do fêmur, no caso dos doadores vivos. No caso dos doadores falecidos, a quantidade de segmentos ósseos e tendinosos é maior “podem ser captados segmentos dos membros superiores, como úmero, rádio e ulna e dos membros inferiores, fêmur, tíbia, fíbula, tálus, acetábulo, tendão patelar, tendão de Aquiles, tendão tibial anterior e tendão tibial posterior”, pontua o enfermeiro. Após a captação, os tecidos ósseos têm validade de cinco anos, desde que sejam armazenados a 80 graus negativos e os tendinosos, na mesma temperatura, possuem validade de dois anos. 

Logística

A distribuição dos tecidos é feita através de uma solicitação ao Banco de Tecidos, por meio de um formulário específico, tipo e quantidade de material necessário para a realização do procedimento cirúrgico.

Quanto a logística de envio dos tecidos, eles podem ser retirados no Banco pelo profissional transplantador ou terceiros formalmente autorizados por ele, além de empresas de transporte e pelos Correios. “O tecido é acondicionado em recipiente isotérmico, lacrado e armazenado no interior de um recipiente protetor, lacrado e identificado adequadamente”, explica Maurício. O tempo de transporte de até quatro horas, utiliza-se gelo reutilizável a 40 graus negativos e para aqueles em que o tempo de transporte seja de até 48 horas, é utilizado gelo seco. 

Foto: O BTME possui abrangência nacional, mas atende à demanda da área de Ortopedia no Rio Grande do Sul e na área da Odontologia, além do RS, Santa Catarina e Paraná (Foto: Assessoria de Comunicação/ Scheila Zang)