Segundo a Associação Brasileira de Ostomizados, estima-se que, no Brasil, existem 400 mil pessoas ostomizadas. No dia 16 de novembro, lembra-se o Dia Nacional dos Ostomizados, data que visa a conscientização e objetivo de mobilizar a população brasileira para conhecer, respeitar e combater o preconceito a pessoa ostomizada. Ostoma, ostomia, estoma ou estomia são palavras que possuem o mesmo significado, derivado do grego em que “osto” é boca e “tomia” abertura.
Uma pessoa estomizada é aquela que precisou realizar um procedimento cirúrgico para a confecção de um estoma, que se trata de um caminho alternativo de comunicação do corpo com o meio exterior, para tratamento de uma doença e com a finalidade de auxiliar na respiração, alimentação, saída de fezes ou urina. "A estomia pode ser temporária ou permanente", avalia a Enfermeira Estomaterapeuta do Hospital São Vicente de Paulo, de Passo Fundo, Simone Araujo.
Tipos de estomia:
Os estomas possuem denominação conforme o órgão exteriorizado. As cirurgias mais frequentes são:
Colostomia: procedimento feito para a comunicação do intestino grosso com o exterior.
Ileostomia: procedimento feito para a comunicação do intestino delgado com o exterior.
Urostomia: procedimento feito para o trajeto alternativo para a saída da urina.
Gastrostomia: procedimento feito para a comunicação do estômago com o meio exterior.
Traqueostomia: procedimento feito para a comunicação da traqueia com o exterior.
Equipamento coletor
O equipamento coletor trata-se de uma bolsa para armazenamento de fezes ou urina, utilizados por pacientes submetidos a estomia intestinal ou urinária, devido ao fato de o estoma possuir características específicas e não pode ser controlado voluntariamente.
Cuidados
Simone explica que o paciente estomizado precisa receber as informações e cuidados que o capacite a viver uma vida autônoma mais próximo do normal. "O planejamento entre o profissional médico e o profissional estomaterapeuta é essencial no cuidado pré, pós-operatório e na reabilitação desses pacientes", pontua.
Entre os principais cuidados encontra-se:
· Receber orientação pré-operatória;
· Receber apoio emocional;
· Ter o estoma implantado em local apropriado, através da demarcação cirúrgica;
· Ter um estoma bem construído cirurgicamente;
· Receber assistência de enfermagem eficiente no pós-operatório;
· Receber orientações e encaminhamentos na alta hospitalar;
· Ter acompanhamento após alta quando necessário.
Por que é importante falar sobre os Estomizados?
A estomia é considerada uma deficiência física e garante aos pacientes direitos como: acesso preferencial em filas, isenção de certos impostos, materiais (equipamento coletor e adjuvantes) para cuidado com o estoma, entre outros. Simone enfatiza que, "além dos direitos, é de suma importância que o paciente aceite a sua nova condição de vida e saiba que, mesmo submetido a um procedimento do tipo, não o impede de voltar a fazer atividades rotineiras: como trabalhar, viajar, ir à praia, dançar, relacionar-se ou mesmo praticar exercícios físicos, com algumas restrições e cuidados. As estomias são consideradas a cirurgia da vida", avalia a profissional.
No Hospital São Vicente é disponibilizado o serviço de Estomaterapia, feito pelo enfermeiro especialista que realiza consultas pré-operatórias, demarcações cirúrgicas, orientações para alta hospitalar e encaminhamentos para cadastro de estomizado no estado para a aquisição de equipamentos coletores e adjuvantes. Além disso, “conta com atendimento ambulatorial para pacientes egressos da instituição, no Ambulatório SUS, nas sextas-feiras no tuno da manhã, através de agendamento", conclui.
Foto: A estomia é um procedimento que salva vidas e pode ser temporário ou permanente (Foto: Assessoria de Comunicação HSVP/ Scheila Zang)