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Cirurgias Bariátricas têm aumento de 84,73%

  • 12/11/2019

 Uma Pesquisa da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, de 2018, revelou que a prevalência da obesidade no Brasil voltou a crescer. Foi registrado um aumento de 67,8% nos últimos 13 anos, de 11,8% em 2006 passou para 19,8% em 2018. A maneira mais eficaz de combater a obesidade é perder peso, o que não é algo tão simples para a maioria das pessoas, por isso, o número por procedimentos cirúrgicos nesse aspecto tem aumentado. Segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), entre os anos de 2011 e 2018 o número de cirurgias bariátricas cresceu 84,73%. Durante esse período foram realizadas 424 mil cirurgias. No Hospital São Vicente de Paulo, de Passo Fundo, só no ano de 2018 foram feitas 1.741, em 2019, até o mês de outubro esse número chegou a 1335 procedimentos.

O Cirurgião Geral e médico do Corpo Clínico do HSVP, Ricardo Zanin, relata que “o maior benefício da cirurgia bariátrica e metabólica, além da perda de peso é a remissão das doenças associadas à obesidade, como diabetes e hipertensão, diminuição do risco de mortalidade, aumento da longevidade e melhoria na qualidade de vida”.

Os pacientes aptos a fazer a cirurgia bariátrica são aqueles cujo Índice de Massa Corporal (IMC) está acima de 40 kg/m², independentemente da presença de comorbidade, pessoas com IMC entre 34 e 40 kg/m² na presença de comorbidade e aqueles com IMC entre 30 e 35 kg/m² na presença de comorbidade que tenham obrigatoriamente a classificação “grave” por um médico especialista na respectiva área da doença. “A idade também é fator a ser analisado. Pacientes entre 18 e 65 anos não têm restrição. Acima de 65 anos, o paciente deverá passar por uma avaliação individual. Em pacientes com menos de 16 anos, o Consenso Bariátrico recomenda que a operação deve ser consentida pela família ou responsável legal, e estes devem acompanhar o paciente no período de recuperação”, pontua o médico.

Outro procedimento usado é a Cirurgia Metabólica, que consiste em qualquer intervenção do tubo digestivo, tendo como objetivo o controle do diabetes tipo 2, com ou sem medicação, através de mecanismos, independentes da perda de peso, e, também, secundariamente, por perda de peso. “Já foi comprovado que a cirurgia metabólica contribui para a remissão da diabete tipo 2 e pode ser indicada para pacientes com IMC entre 30 a 35 kg/m²”, avalia Zanin. Ainda, “além do IMC e da ausência de resposta ao tratamento clínico, outros critérios para a indicação da cirurgia metabólica são a idade mínima de 30 anos e máxima de 70 anos e ter menos de dez anos de diagnóstico de diabetes”, explica Zanin.

A técnica bariátrica mais praticada no Brasil é o Bypass Gástrico, que corresponde a 75% das cirurgias realizadas, Zanin evidencia que isso se deve a segurança e, principalmente, eficácia da técnica. “O paciente submetido à cirurgia perde de 70% a 80% do excesso de peso inicial”, ressalta.

É um procedimento onde é feito o grampeamento de parte do estômago, reduzindo o espaço para o alimento, além de feito um desvio intestinal inicial, promovendo o aumento de hormônios que dão saciedade e diminuem a fome. “Essa somatória entre menor ingestão de alimentos e aumento da saciedade é o que leva ao emagrecimento, além de controlar o diabetes e outras doenças, como a hipertensão arterial”, relata o médico.

Cuidados pré e pós-operatório

O preparo pré-operatório otimiza a segurança e os resultados da cirurgia bariátrica e metabólica. Zanin relata que antes da cirurgia é solicitado ao paciente para que ele se esforce para perder um pouco de peso. “Alguns quilos a menos podem oferecer melhores condições à anestesia geral e à operação”, afirma.

É no pré-operatório que o paciente deve realizar uma série de exames, tais como endoscopia digestiva, ultrassom abdominal e exames laboratoriais, além de passar em consulta com os profissionais obrigatórios: cirurgião, cardiologista, psiquiatra, psicólogo e nutricionista. “O paciente deve fazer consultas e exames laboratoriais periódicos no pós-operatório, conforme o tipo de cirurgia e as rotinas estabelecidas pela equipe responsável. Em caso de comorbidades, elas devem ser acompanhadas por profissionais especialistas nessas doenças”, explica Zanin. Ainda, recomenda-se atividade física e complemento vitamínico. Nas operações abertas, aconselha-se o uso da faixa abdominal.

Como toda cirurgia, a bariátrica também pode gerar complicações, embora Zanin evidencie que isso ocorre muito raramente. Entre as complicações estão infecções, tromboembolismo (entupimento de vasos sanguíneos), deiscências (separações) de suturas, fístulas (desprendimento dos grampos), obstrução intestinal, hérnia no local do corte, abscessos (infecções internas) e pneumonia. “Além disso, sintomas gastrointestinais podem aparecer após a refeição. Os pacientes predispostos a esses efeitos colaterais devem observar certos cuidados, como reduzir o consumo de carboidratos, comer mais vezes ao dia, em pequenas quantidades e evitar a ingestão de líquidos durante as refeições”, ressalta.

Acompanhamento psicológico

O acolhimento do paciente é o primeiro cuidado que se deve ter. Zanin evidencia que “precisamos entender como esse paciente funciona, como estão as condições emocionais para lidar com a cirurgia e principalmente trabalhar para que o paciente assuma a responsabilidade de ser o agente de seu próprio tratamento colaborando para as mudanças de hábitos de vida que serão importantes para o completo sucesso da cirurgia”. O acompanhamento psicológico é importante, pois, “o psiquiatra identifica condições que exijam tratamento que podem se complicar ou melhorar após a cirurgia”, pontua o médico.

Foto: A indicação da cirurgia bariátrica e metabólica está baseada em quatro critérios: índice de massa corporal, idade, doenças associadas e tempo de doença (Foto: Assessoria de Comunicação HSVP/)