HSVP atendeu 459 casos de AVC neste ano
Estima-se que, a cada ano, 17 milhões de pessoas sejam vítimas do Acidente Vascular Cerebral (AVC). Também conhecido como "derrame", o AVC é a segunda causa de morte no mundo, após doença cardíaca. Conforme explica o neurocirurgião do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, Dr. Cassiano Crusius, o Acidente Vascular Cerebral pode ser caracterizado por dois tipos, isquêmicos e hemorrágicos. “Em torno de 85% dos casos de AVC, são isquêmicos, e a outra porcentagem são os AVCs hemorrágicos”.
O AVC isquêmico, o mais comum dos Acidentes Vasculares Cerebrais, acontece quando um vaso sanguíneo no cérebro fica bloqueado devido a um coágulo ou trombo. “É aquele em que há falta de ligação, falta de aporte sanguíneo, em alguma área cerebral”, pontua Crusius. Já o AVC hemorrágico, ocorre quando um vaso sanguíneo se rompe. “Quando há uma ruptura de um vaso cerebral, causando um sangramento dentro do cérebro”. Isso faz com que os neurônios enfraqueçam e morram.
Os índices de AVC, no mundo, podem ser considerados elevados. Estima-se que, a cada 6 pessoas, uma terá um AVC ao longo da vida. Além disso, a cada dois segundos, alguém no mundo tem um Acidente Vascular Cerebral. Conforme Crusius, o derrame pode acontecer em jovens, mas é mais comum nos pacientes acima de 60 anos de idade.
A referência no tratamento do AVC, é reconhecidamente de hospitais terciários, que são aqueles hospitais que recebem pacientes com casos complexos. No HSVP, somente neste ano, 459 pacientes procuraram a emergência com diagnóstico de AVC. Destes, 240 eram homens, e 219 eram mulheres. O número, considerado alto, é semelhante aos anos anteriores, 2016, 2017 e 2018, onde foram registrados 394, 463 e 355 pacientes com derrame, respectivamente. “O melhor tratamento deve ser oferecido ao paciente. E o HSVP tem condições, e possui toda estrutura necessária para oferecer esse tratamento a todos esses pacientes que procurarem o Centro de AVC do hospital”, acrescenta o especialista.
SAMU
Para facilitar na hora de identificar um possível AVC, lembre-se da palavra SAMU. De acordo com o neurocirurgião, a sigla refere-se as palavras sorria, abrace, música e urgência. “Sorria, para a pessoa fazer o movimento da face, e então facilmente nós conseguimos saber se tem alguma assimetria facial, ou seja, se um lado do rosto mexe mais que o outro. Abrace, para a pessoa erguer os dois braços, e ver se tem alguma assimetria ou dificuldade de movimentar um dos lados do corpo, se um lado mexe e o outro não. Música, para cantar uma música, ou seja, falar, para ver se o paciente tem alguma dificuldade na fala, que é um sintoma muito comum nos quadros de AVC”, explica Crusius. Com estas três características identificadas, tem-se o U, de urgência. “É uma urgência médica e o paciente deve ser encaminhado o mais rápido possível para uma unidade hospitalar que tenha condições de atender o AVC”.
Sequelas
Além de ser a maior causa de morbimortalidade no Brasil, das doenças cardiovasculares, o AVC é a doença que mais provoca incapacidade nos dias atuais. Das 17 milhões de pessoas vítimas do AVC, a cada ano, mais de 6 milhões morrem e aproximadamente 5 milhões sobrevivem com sequelas que dificultam a independência funcional no dia a dia. Segundo o especialista, as principais sequelas são as motoras. “De não mexer um dos lados do corpo, ou não mexer o braço e a perna direita, ou o braço e a perna esquerda”.
Além da sequela motora, “nós temos também a sequela da fala, que é considerada muito grave também”, esclarece o neurocirurgião, que alerta ainda para a importância de um tratamento precoce. “Quanto mais precoce for o tratamento, menos é a chance de sequelas. Então quanto antes vier para o hospital, melhor será a recuperação desse paciente”.
Tratamento
Quando já ocorreu um AVC, o tratamento mais efetivo, segundo Crusius, é a retirada do trombo, ou seja, a desobstrução da artéria que foi obstruída no momento do AVC. “Para isso, um procedimento é feito sala de Hemodinâmica, onde se introduz um cateter dentro desta artéria que está entupida, trancada, e se faz a desobstrução da artéria para que o sangue comece a circular novamente, e normalmente, dentro desse cérebro acometido”, ressalta.
O neurocirurgião explica ainda, o processo realizado na emergência do HSVP quando chega um paciente com quadro de AVC. “É realizado um alerta para equipe, que se mobiliza para atender o mais rápido possível”. Nos casos em que não é possível realizar a retirada de trombo, é indicado um medicamento para tentar dissolver o coágulo que está situado dentro da artéria cerebral. Assim, o tratamento que o paciente vai receber ao chegar na emergência, depende de cada caso.
“Independentemente de qual tratamento que o paciente vai receber, o recado que tem que ficar é que quanto mais tempo se demora, mais cérebro se perde. Quanto mais tempo demora, mais neurônios acabam morrendo, e quando mais neurônios morrem, maior é a sequela do paciente. Então, é fundamental o tempo, não só dentro do hospital, mas também fora dele, para chegar no hospital em tempo hábil. Quanto mais rápido, melhor”, alerta o especialista.
Prevenção
Conforme Crusius, a prevenção dos AVCs são todos os controles dos fatores de risco, para as doenças cardiovasculares. “Quem possui diabetes, tem que cuidar para sempre manter o nível de glicemia, ou seja, de açúcar no sangue, nos níveis adequados. Quem tem pressão alta, tem que manter controlada”, pontua. Além disso, evitar bebidas alcoólicas e tabagismo, fazer exercícios físicos e manter uma vida saudável, são outras medidas indicadas para prevenir um derrame.