Seis anos após dar início às atividades do Banco de Tecido Músculoesquelético (BTME), um dos oito em funcionamento no Brasil, o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo tem agora mais uma novidade, o Banco de Tecido Ocular Humano (BTOH). O HSVP é o único no sul do país, que em uma mesma área física, trabalha e processa dois tipos de tecidos para transplante.
O Banco de Tecido Ocular Humano do HSVP realiza triagem clínica e sorológica dos potenciais doadores de tecido ocular, enucleação – retirada do globo ocular - processamento, avaliação e distribuição da córnea para transplante, garantindo a conservação e a qualidade do tecido para disponibilizá-lo à realização de cirurgia oftalmológica. Os transplantes obedecem à ordem da lista de espera da Central de Transplantes do Estado. “Isto trouxe transparência para a distribuição de tecidos. Hoje os pacientes podem acompanhar a sua posição na lista e evitar qualquer tipo de favorecimento”, destacou o médico responsável técnico pelo BTOH, Dr. Eduardo Ventura.
Conforme orientação da Vigilância Sanitária (VISA), a unidade passou por reformas na estrutura física para viabilizar o funcionamento do Banco de Tecido Ocular Humano. A atual estrutura conta com sala para o recebimento e processamento da córnea e ampliação de área para atividades administrativas. A autorização para o funcionamento do BTOH foi oficializada a partir da publicação no Diário Oficial da União da Portaria nº 109 de 9 de fevereiro de 2012, do Ministério da Saúde.
Segundo o enfermeiro responsável técnico do banco, Maurício Luciano Zangirolami, “o globo ocular doado passa por avaliação macroscópica. A separação e o processamento da córnea são realizados em capela de fluxo laminar e acondicionada em líquido de preservação onde é feita nova avaliação microscópica e armazenada em refrigerador com controle de temperatura mantendo-a entre 2 a 8°C por um período de 14 dias. Antes da distribuição para transplante a córnea passa por nova avaliação em lâmpada de fenda.”
O HSVP teve no ano passado 26 doadores, resultando em 150 órgãos e tecidos captados e 94 córneas transplantadas. Neste ano já foram oito doadores obtendo um total de 38 órgãos e tecidos captados e 44 transplantes de córneas realizados. Com o credenciamento do BTOH será possível ações voltadas à doação de córneas nos hospitais da região e principalmente os pertencentes à área de abrangência da Organização de Procura de Órgãos e Tecidos (OPO-4). “As córneas que antes eram encaminhadas para Caxias do Sul ou Porto Alegre para serem processadas, agora podem ser repassadas para o HSVP, visto que a distância e o tempo de transporte são reduzidos, resultando numa melhor qualidade do tecido a ser transplantado”, exemplifica Maurício. Desde que o BTOH iniciou suas atividades, já recebeu cinco doações, totalizando 10 córneas.