Mais de 400 pessoas participam da Caminhada pela Prematuridade
Mais de 400 pessoas coloriram a Praça Tamandaré de roxo, no sábado 19 de novembro, na 1ª Caminhada pela Prematuridade, promovida pelo Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, por meio do Ambulatório dos Primeiros Passos do Prematuro e a ONG Prematuridade.com. Todo ano nascem 15 milhões de bebês prematuros no mundo. No Brasil, acontecem cerca de 340 mil nascimentos antes das 37 semanas de gestação, sendo que o país está em 10º lugar no ranking de prematuridade. Além disso, a prematuridade deixa traumas psicológicos para os pais e sequelas físicas para os bebês, dessa forma, é fundamental preparar a família para essa situação. Muitas vezes é possível prevenir o parto prematuro e minimizar os danos causados aos bebês, e foi com o intuito de fazer esse alerta e de sensibilizar a comunidade para a causa lembrada mundialmente no dia 17 de novembro, que a caminhada foi realizada.
Além da caminhada, profissionais, pais, crianças e a comunidade que se vestiram de roxo, abraçaram a praça, simbolizando o apoio à causa e à todas as crianças prematuras. Conforme Vinicius Winckler Wojahn, fisioterapeuta e coordenador do Ambulatório dos Primeiros Passos do Prematuro, o evento superou as expectativas da equipe e atingiu o seu objetivo. “Informar e chamar a atenção do público e profissionais para a prematuridade, o impacto que ela pode causar na vida das crianças, enfatizando que é possível prevenir o parto prematuro eram os nossos objetivos e acredito que conseguimos alcançá-lo”, pontuou o especialista, agradecendo a todos os que colaboraram e participaram do evento.
A ONG Prematuridade.com parceira do evento, que tem como compromisso representar os interesses e lutar pelos direitos e bem-estar dos bebês prematuros e suas famílias no Brasil, esteve representada na ocasião pela vice-diretora executiva Aline Hennemann, que se emocionou com a intensidade do evento. “A caminhada de Passo Fundo foi a primeira no Rio Grande do Sul e me emocionou muito. Um evento cheio de amor e de carinho onde a equipe toda se envolveu. O HSVP está de parabéns e todos que vestiram a causa. Se cada um que esteve aqui sair e falar um pouco sobre prematuridade nós vamos criar uma corrente do bem, pois o que queremos é prevenir o parto prematuro e sabemos que para isso precisamos de educação e informação”, enfatizou Aline, evidenciando ainda, que as ações do Novembro Roxo , visam explicar e mostrar um pouco de como é o universo da prematuridade, além de reforçar a importância do pré-natal.
As famílias e crianças que passaram pelo CTI Neonatal do HSVP prestigiaram o evento e apoiaram a causa. Júlia Rita Piva, a menor prematura a nascer e sobreviver no HSVP, foi uma das crianças que vestiu roxo e participou da caminhada. Segundo a mãe, Flávia Piva, a mobilização é muito importante, pois muitas pessoas, assim como ela antes do nascimento da filha, desconhecem o dado de um prematuro a cada 10 nascimentos. “Precisamos preparar as mamães de que isso pode acontecer e também para que levem o pré-natal a sério. Se eu tivesse essas informações antes do nascimento da Júlia teria me ajudado bastante pois, é um mundo totalmente novo e ficamos sem chão. Eu busquei respostas na internet e só encontrava casos negativos e isso me angustiava mais. Então, para as mães que estão passando por esse momento, ver que temos muitas crianças bem, brincando e felizes aqui, é uma forma de apoio e tranquilidade”, destacou Flávia.
Assim como Júlia, Cecília de oito meses e seus pais, também prestigiaram o evento. “Assim como qualquer mãe de prematuro, fomos pegos de surpresa. Tudo aquilo que a gente imaginava de sair da maternidade com a criança não aconteceu e para nós é como se fosse um sonho cortado pela metade. A gente faz todo um planejamento de chegar em casa sem barriga e com bebê nos braços, e aí de repente chegamos em casa, tinha berço, não tinha barriga e não estávamos com nosso bebê. Chegar no CTI e olhar o bebê tão pequeno é desesperador, porque não sabemos o que vem pela frente. É uma realidade que a gente não conhecia e não imaginava passar por isso. Hoje, percebemos que o medo que passamos teria sido amenizado se tivéssemos mais informações”, relata a mãe Leticia Mainardi Berlatto, agradecendo ainda o trabalho da equipe do CTI Neonatal do HSVP . “Ver o trabalho preparado e humanizado que os profissionais realizavam diariamente nos tranquilizou. Sou muito grata, porque se hoje temos a nossa filha é devido ao cuidado deles. Para as mães que estão e vão passar por isso, acreditem em Deus em primeiro lugar e confiem nessa equipe”. O pai de Cecília, André Vieira também enfatizou a questão do receio dos pais em relação ao CTI. “O pessoal tem que quebrar um pouco essa ideia de que CTI é uma sentença ruim. É um centro de tratamento de cuidados intensivos para preservar, manter e promover a vida dessas crianças. Toda vez que a gente chegava lá e via ela mesmo através do vidro, tínhamos plena consciência de que a Cecília ia sair bem e se desenvolver, porque ela estava recebendo todo o apoio que precisava”.
Foto: Participantes vestiram roxo, cor símbolo da causa (Fotos Assessoria de Comunicação HSVP/Caroline Silvestro)