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Estrutura de alta complexidade auxilia na redução da mortalidade materna

  • 25/05/2012

 A redução da mortalidade materna no Brasil e no mundo é ainda um desafio para os serviços de saúde e a sociedade como um todo. Segundo dados publicados pela Organização das Nações Unidas (ONU), o número de mulheres que morrem durante a gravidez ou por complicações durante o parto caiu quase pela metade nos últimos 20 anos. No Brasil, um estudo feito pelo Ministério da Saúde aponta uma redução de 21% na mortalidade materna entre 2010 e 2011. Através da disposição de uma estrutura de alta complexidade e assistência qualificada, o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo trabalha em conjunto com os serviços de saúde pública para diagnosticar as gestações de alto risco o mais precocemente possível.

No Brasil, o dia 28 de maio é dedicado a Redução da Mortalidade Materna. “Morte materna ou óbito materno é a morte da mulher durante a gestação ou até 42 dias após o término da gestação, independente da duração ou localização da gravidez. É causada por qualquer fator relacionado ou agravado pela gravidez ou por medidas tomadas em relação a ela. Não é considerada morte materna a que é provocada por fatores acidentais ou incidentais”, explicou a enfermeira do Núcleo de Vigilância Epidemiológica Hospitalar do HSVP, Daiane Trentin.

Uma das principais medidas para evitar a morte materna é o diagnóstico precoce. No HSVP, o acompanhamento é feito com precisão desde o início da gestação e utiliza a estrutura de recursos humanos e o suporte tecnológico para diminuir ao máximo as possibilidades de um eventual óbito. “O cuidado com as gestantes de alto risco começa com os atendimentos no Ambulatório do Sistema Único de Saúde (SUS). Após o pré-natal, que identifica a gravidez de risco, a 6ª Coordenadoria Regional de Saúde encaminha a gestante para o atendimento no ambulatório do HSVP. A partir de então, os profissionais iniciam o acompanhamento dessa gestante e realizam os exames de alta complexidade que garantem resultados precisos e qualificados para o bem-estar materno-fetal”, ressaltou a enfermeira obstetra, Cleusa de Carvalho.

As principais causas de mortalidade materna no Brasil são as hemorragias e as complicações devido a doenças hipertensivas (Hellp, Pré-eclâmpsia e Eclâmpsia) decorrentes da gravidez de risco. “Geralmente em uma gravidez de alto risco há grandes probabilidades de o bebê nascer prematuro, é aí que entra o trabalho da equipe do Centro Obstétrico (CO) do HSVP. Além de equipamentos de alta complexidade e de uma equipe especializada para atendimento de alto risco, o HSVP disponibiliza ao CO o estoque de sangue do Serviço de Hemoterapia, que garante suporte em caso de uma hemorragia. O Laboratório de Análises Clínicas, que funciona 24 horas, complementa com precisão o diagnóstico de patologias de alto risco”, enfatizou Cleusa.

O incentivo à amamentação é outro método utilizado no HSVP para auxiliar na redução da mortalidade materna. “Após o nascimento, a amamentação é iniciada ainda na recuperação, que auxilia na involução uterina diminuindo o risco de hemorragia”, explicou a enfermeira obstetra.

Comitê de Mortalidade Materna e Neonatal

Durante reunião da Cúpula do Milênio em 2000, líderes de 191 países, incluindo o Brasil, assinaram um compromisso para diminuir a desigualdade e melhorar o desenvolvimento humano no mundo até 2015. “Por meio de oito iniciativas que foram chamadas de Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, se destacou a redução da mortalidade materna. O Núcleo de Vigilância Epidemiológica Hospitalar (NVEH) constitui junto a médicos obstetras e pediatras, Administração, Enfermagem, Serviços de Arquivo e Estatísticas do HSVP o Comitê de Mortalidade Materna e Neonatal (CMMN)”, informou a enfermeira Daiane Trentin.

A vigilância epidemiológica da mortalidade materna é uma atribuição de municípios e estados. O Comitê de Mortalidade Materna e Neonatal do HSVP auxilia os órgãos municipais e estaduais na apuração de estatísticas referentes a estas problemáticas. “O objetivo do comitê é o levantamento junto ao NVEH do número e das causas dos óbitos maternos, que são encaminhados para a comissão municipal. O Comitê do HSVP também discute que ações futuras podem ser adotadas para evitar a mortalidade materna. A finalidade não é a punição e sim a possibilidade da apresentação de novos métodos de prevenção”, ressaltou a médica obstetra e presidente do CMMN do HSVP, Dra. Giovana Donato.

Ao longo de duas décadas, a mortalidade materna no Brasil caiu 51%. Segundo o Ministério da Saúde de 1990 a 2010, o número de mortes diminuiu de 141 para 68 para cada 100 mil nascidos vivos. Em 2011, no HSVP foram registradas quatro mortes que se enquadram nos critérios de mortalidade materna, as quais compreendem pacientes dos municípios atendidos pelo HSVP.