HSVP mobiliza-se em ato pela saúde
O Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo participou na manhã desta terça-feira, 23 de agosto, da manifestação promovida pela FETAG-RS e os Sindicatos dos Trabalhadores Rurais em defesa das Santas Casas, Hospitais Filantrópicos e a saúde pública. O ato em frente a 6ª Coordenadoria Regional de Saúde reuniu trabalhadores da saúde, prestadores de serviços, trabalhadores rurais e entidades que apoiam a causa, além da presença de hospitais da região.
O movimento acontece em outros 17 pontos do estado onde, foi entregue um documento que retrata a apreensão da FETAG com o descaso das autoridades à saúde. “Os atos não são contra ninguém, mas sim a favor da saúde pública no Rio Grande do Sul. O SUS, por exemplo, está perdendo a qualidade e a referência. E desta forma, a saúde deixa de ser prioridade dos governos”, enfatizou o presidente da FETAG, Carlos Joel da Silva.
Para o diretor financeiro do HSVP, Deonir de Marco seria muito mais fácil fechar leitos e reduzir internações, mas conforme ele, o HSVP tem um compromisso com a comunidade e as pessoas enfermas e por isso, busca soluções para manter as portas abertas. “Este ato é uma reivindicação de todos. Não queremos que o SUS morra, mas sim que se faça uma reflexão de como estamos atendendo o SUS e de como os gestores públicos administram o SUS. O governo gasta R$ 3,89 por dia, sendo R$ 1400 ao ano, em saúde para cada pessoa. E por que não se aplica mais?”, questionou o diretor, ressaltando ainda que estamos atrás do Paraguai, Argentina, Chile, entre outros países da América do Sul, em relação ao investimento na área. “O governo aplica 5% do seu PIB na saúde. É muito pouco para a realidade que vivemos. É necessário sim, que paremos e nos manifestemos para que possamos ter melhores condições de saúde, mais investimentos e para que a população não fique desatendida”.
Na visão do vice-diretor médico do HSVP, Júlio Stobbe é necessário investir em hospitais de média complexidade, para assim desafogar as emergências dos hospitais de alta complexidade. “Nós estamos com dificuldades de receber os pacientes e isso é reflexo de uma conjuntura muito complicada, onde os hospitais de média complexidade estão com dificuldades de manutenção e isso faz com que os grandes hospitais estejam sempre lotados. Hoje, em torno de 70 a 80% dos pacientes na emergência dos hospitais de alta complexidade são pacientes de média complexidade. É por isso que precisamos apoio e repasses para manter esses hospitais e melhorar as suas tecnologias”, enfatizou.
Dentre os motivos para a execução dos atos a FETAG pontuou a falta e o não-repasse de recursos às Secretarias Municipais de Saúde, inexistência de prestação de contas do dinheiro público por parte de alguns hospitais e clínicas, defasagem na tabela de atendimentos prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), aplicação dos recursos destinados à saúde em outras áreas e a falta de recursos voltados à Atenção Básica, que é o pilar sustentador da saúde pública.
Foto: Manifesto reuniu hospitais de toda a região (Foto Assessoria de Comunicação HSVP/Caroline Silvestro)