HSVP adere ao movimento Dia de Luto pela Saúde
O Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo participa nesta segunda-feira, 1º de agosto, do movimento Até quando? Dia de Luto pela Saúde, liderado pela Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do Rio Grande do Sul. Diante da falta de recursos e incentivos às instituições hospitalares que fazem frente aos atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a mobilização ganha corpo no mês de agosto, com o intuito de dar voz à situação delicada da saúde.
Nesta sexta-feira, 29 de julho, a direção do HSVP reuniu-se com os gestores dos diversos setores, para apresentar os objetivos da mobilização e pedir apoio dos mais de 3.500 funcionários. Segundo o superintendente Ilário De David, a crise financeira que assola a saúde está destruindo um dos maiores patrimônios do estado, que são as santas casas e hospitais filantrópicos. “Depois de fechar um hospital é muito difícil reabri-lo, por isso temos que nos manifestar para que a população não sofra mais as consequências deste caos na saúde. A falta de recursos enfraqueceu e está liquidando o caixa dos hospitais”, enfatiza Ilário, ao pontuar as principais reivindicações do movimento, que são pagamento de R$ 144 milhões, cronograma de pagamento das parcelas subsequentes, co-finanancimento, entre outros.
A mobilização do dia 1º de agosto acontece nas portarias do HSVP, com a participação de todos funcionários, acompanhantes e pacientes.
Foto: Direção e gestores do HSVP apoiam mobilização em prol da saúde (Foto Assessoria de Comunicação HSVP/Endil Mello)
Mês das Misericórdias
Misericórdia: A expressão tem origem latina, e é formada pela junção de miserere (ter compaixão) e cordis (coração). Significa ter capacidade de sentir dor pela dificuldade do outro e apressar-se em socorrê-lo. Neste ano de 2016, que é o ano santo da misericórdia, alertamos para a nossa situação de desamparo.
Impulsionadas pela data de 15 de agosto, instituída como o Dia das Misericórdias no Brasil, as 245 Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Rio Grande do Sul, querem chamar atenção da população e pedir misericórdia aos gestores do SUS.
As seculares instituições de saúde que atendem mais de 70% da demanda do Sistema Único do Rio Grande do Sul, que atuam com beneficência, qualidade e atenção aos que mais necessitam,está em colapso. Além das vidas que cuidamos quando a saúde não vai bem, queremos chamar atenção para os mais de 65 mil trabalhadores que estão ligados aos nossos hospitais. Sem esses hospitais, quantas famílias ficariam desamparadas?
As estruturas dos hospitais vêm reduzindo gradativamente e queremos expor o porquê dessa situação. Você sabia que hoje uma Consulta Simples para um adulto custa para os hospitais R$ 42,00 e o Governo Federal repassa apenas R$ 13,00? Uma conta que não fecha! Não bastasse essa diferença imensa, ano a ano os recursos vêm diminuindo e a demanda aumentando. Uma conta que nem o melhor matemático do mundo ou o melhor gestor consegue organizar.
Misericórdia e solidariedade ao próximo é o que encontramos diariamente nesses hospitais. Os salários estão atrasados e mesmo assim o atendimento é prestado. A saúde é o mais importante. Mas não há como fechar os olhos para este cenário assustador. No Rio Grande do Sul, as Santas Casas de Misericórdia já acumulam dívidas que alcançam R$ 1,4 bilhões. Sem crédito, sem medicamentos, sem profissionais. E o pior, sem perspectivas.
Aqui no Estado também sofremos com cortes de recursos, falta de calendário de pagamentos - assim como funcionários do Estado, os hospitais recebem parcelado, e acredite, estamos há meses sem receber por alguns serviços que prestamos – onde anda a misericórdia dos gestores com a saúde pública do Estado. Não podemos e não devemos perder mais vidas pelo descaso. A saúde não vem sendo tratada com a prioridade que merece e especialmente, que precisa.
Ninguém melhor que o usuário do Sistema Único de Saúde para abraçar essa causa juntos com hospitais e seus trabalhadores. Se você que precisa do hospital do seu município não exigir o respeito dos Gestores Políticos, as nossas vozes não ficam completas.
Sensibilidade, atenção, respeito e misericórdia com quem é responsável pelo atendimento hospitalar do gaúcho deve ser o lema na prática, não apenas na teoria.
No mês das Misericórdias o nosso pedido ao Governador José Ivo Sartori e ao Presidente Michel Temer: MISERICÓRDIA COM AS SANTAS CASAS! Até quando os olhos de nossos governantes estarão fechados para nós? Até quando?