Atualização e experiências sobre câncer são compartilhadas no HSVP
Nos últimos anos têm aumentando os casos de câncer não apenas no Rio Grande Sul, como no Brasil. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) as doenças cancerígenas são a segunda maior causa de morte em todo país, perdendo apenas para as cerebrovasculares. As estimativas apontam ainda que para o ano de 2016, haverá a ocorrência de aproximadamente 596.070 casos novos de câncer, incluindo os de pele não melanoma, desses 49% (205.960) em mulheres e 51% (214.350) em homens, reforçando a magnitude do problema do câncer no país.
Para combater esta doença que preocupa tanto, a informação, o diagnóstico precoce e o tratamento em centros especializados são fundamentais. Com o foco no melhor atendimento aos pacientes que tratam câncer, visando novos tratamentos e tecnologias, o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo promoveu nesta terça-feira, 22 de dezembro, a mesa redonda A epidemiologia do câncer no Brasil e no mundo, apresentada pelo médico oncologista Dr. Carlos Henrique Escosteguy Barrios, diretor do Centro de Pesquisa em Oncologia do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS), onde atua em pesquisa clínica no desenvolvimento de novas drogas para o tratamento de uma variedade de tumores. O evento contou com a presença da direção do HSVP, presidente Décio Ramos de Lima, administrador Ilário De David, diretor médico Dr. Rudah Jorge, diretor de Ensino, Pesquisa e Tecnologia Dr. Alberto Kaemmerer, gerente de RH Jairo Davoglio, gerente financeiro Deonir De Marco e de inúmeros médicos oncologistas, cirurgiões e médicos da área de diagnóstico por imagem.
Na ocasião, Barrios trouxe atualizações sobre pesquisa clínica, novos medicamentos e tecnologias. A respeito do aumento do número de casos de câncer, o pesquisador atribuiu a alguns fatores. “Várias situações justificam o aumento dos casos de câncer e a importância que a doença tem socialmente no nosso país e particularmente no estado e região. O primeiro que podemos citar é que a população está envelhecendo e com isso, a incidência de câncer aumenta nessa faixa etária. Outro ponto a se destacar é o fato de que a população está aumentando e isso também reflete no número de casos de câncer. E, finalmente, o fato que pode justificar é que estamos incorporando fatores de risco de sociedades mais desenvolvidas, e hábitos onde a incidência de câncer é maior, como obesidade, tabagismo e dieta inadequada”, enumera. .
O aumento dos índices de câncer impacta para as pessoas, sociedade e, principalmente, instituições de saúde, que precisam estar preparadas para atender a demanda de casos. “Ainda temos um impacto tão crítico, uma vez que o custo do tratamento desses pacientes é grande e há uma proporção significativa da população que vai utilizar muitos recursos do sistema de saúde”, evidencia Barrios, pontuando ainda que, governo, instituições e profissionais da saúde precisam se preparar para enfrentar essa difícil realidade. “Isso é um problema muito sério que precisa de todos os elementos que participam dessa equação unirem-se e dialogarem. Esse diálogo tem que incorporar o governo, a sociedade, grupos de pacientes, sociedades médicas, pagadores dos planos de saúde e indústria farmacêutica, onde todos devem discutir essa situação e buscar a solução conjunta”.
Rastreamento epidemiológico e diagnóstico precoce são fundamentais
Segundo o oncologista, a Vigilância Epidemiológica é uma ação especializada de grande relevância para a sociedade, pois tem como objetivos o monitoramento e a análise de possíveis mudanças no perfil das enfermidades, contribuindo também para a educação e o planejamento de ações na área da saúde. Quanto às neoplasias mais comuns Barrios afirma que o câncer de mama é o que mais acomete as mulheres e o de próstata em homens, isso sem considerar os tumores de pele, que são os mais comuns, mas que não alteram a sobrevida das pessoas. “O câncer de mama e o de próstata precisam estar dentro desse radar epidemiológico, o que é considerado ao se estabelecer um planejamento de saúde regional, institucional, de estado e de país. É necessário nessas situações um programa amplo de educação e informação da população, para que entendam que o diagnóstico precoce é fundamental para diminuir a incidência destas doenças em estágios avançados”, alerta o oncologista, apontando outro dado interessante. O câncer de pulmão não é o mais comum, no entanto é o que mais mata, por isso que evitar o tabagismo e incentivar campanhas nesse sentido, são fundamentais, já que 30% dos cânceres estão ligados ao tabagismo.
Neste sentido, Barrios reforça que o diagnóstico precoce é sem dúvida, uma das melhores formas de combater o câncer. “O câncer é uma doença curável e que precisa ser reconhecido como tal, desde que seja diagnosticado precocemente. Por isso, a necessidade de informação e preparação das equipes de saúde”.
Pesquisa clínica e a evolução no tratamento
Em relação ao tratamento do câncer, o pesquisador destaca que há evolução e resultados cada vez melhores em países desenvolvidos. Ele informa que nos últimos cinco anos 45 novas drogas foram liberadas, o que se deve às pesquisas clínicas. “O único empecilho que temos é que a pesquisa clínica não está uniformemente distribuída e os novos medicamentos ou tecnologias não estão tão disponíveis como gostaríamos, principalmente, nos primeiros anos depois de introduzidas no mercado. Nos Estados Unidos, por exemplo, uma nova droga é desenvolvida e aprovada, mas no Brasil o novo tratamento demora de três a cinco anos para ser aprovado. Se sabe que a nova droga é a melhor, entretanto ela não está disponível para os nossos pacientes”, ressalta Barrios, concluindo ainda que o acesso aos medicamentos é um problema importante que precisa ser parte da discussão sobre o câncer.
Outro aspecto citado pelo oncologista refere-se a pesquisa clínica como um caminho alternativo para ter acesso mais cedo às novas drogas e tecnologias. “Temos muito pouca atividade de pesquisa clínica comparada ao que poderíamos ter, e através disso, a percentagem dos pacientes poderão ter seu tratamento qualificado, melhorado e otimizado. Todas as instituições que fazem pesquisa clínica melhoram o tratamento de seus pacientes e, consequentemente, irão melhorar os seus resultados”.
Foto: Oncologista Carlos Henrique Escosteguy Barrios apresentou dados e atualizações para os profissionais do HSVP (Foto Assessoria de Comunicação HSVP/Endil Mello)
Foto: Direção do HSVP com o oncologista Carlos Henrique Escosteguy Barrios (Foto Assessoria de Comunicação HSVP/Endil Mello)