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Sentimento de humanidade motiva mais de 700 pessoas na caminhada

  • 19/10/2015

O vento frio deste sábado, 17 de outubro, acompanhou as mais de 700 pessoas que caminharam pela doação de órgãos. Da Sete de Setembro, passando pela Avenida Brasil até a Teixeira de Soares, pais, mães, crianças, adolescentes, idosos, famílias inteiras gritavam com energia a frase “eu sou doador!”. Entre aplausos, sorrisos, os transplantados manifestaram o significado de terem recebido uma nova vida. A 2ª Caminhada Viva a Vida do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo expressou um sentimento de amor e humanidade. A mensagem da doação de órgãos foi transmitida pela direção do HSVP, transplantados, equipes que atuam na captação de órgãos, pacientes em fila de espera e comunidade.

A chegada na Praça Tamandaré reservou momentos de emoção e os participantes aproveitaram para verificar a pressão arterial e fazer o teste de glicemia na feira de saúde. Foram atendidas 140 pessoas pelos alunos e professores da Escola de Educação Profissional São Vicente. As crianças divertiram-se com brinquedos infláveis e o público pôde se alongar com as fisioterapeutas do HSVP e assistir apresentações da Baillar Centro de Danças.

O presidente do HSVP, Décio Ramos de Lima considera que só uma pessoa que está necessitando de um órgão sabe o significado que tem o gesto da doação. Portanto, “o nosso apelo para que as pessoas se conscientizem da importância da doação de órgãos”. Ele ainda complementou que como Vicentino orgulha-se da instituição que preside e agradeceu aos funcionários, médicos que, incansavelmente, trabalham para que o hospital seja referência.

Para que o processo da doação e o transplante aconteçam da melhor forma é necessário o suporte de uma estrutura física e de recursos humanos. Nesse sentido, o administrador do HSVP, Ilário De David, reforçou que a direção irá manter forte esta estrutura para que médicos e profissionais de saúde possam ter um espaço físico adequado para atenderem as pessoas que necessitam de um transplante. “O Hospital São Vicente vai manter este compromisso com o intuito de que esta corrente pela vida aconteça. Sem doador não se consegue o transplante, por isso, queremos incentivar médicos, profissionais e equipes a continuarem sim a corrente pela vida!”.

O médico neurocirurgião Dr. Cassiano Crusius, que coordena a Organização por Procura de Órgãos (OPO 4/RS) explicou que a OPO está situada no HSVP e atende toda a região missioneira. Segundo ele, a equipe está sempre mobilizada e atenta para trabalhar em meio aos desafios do processo da doação. “Nosso objetivo com a caminhada é despertar a discussão para a doação de órgãos. Nós queremos que discutam em casa, falem para sua família a respeito da doação. Queremos despertar o sentimento de humanidade que está por trás deste gesto”, enfatizou.

Palavras de gratidão e esperança
Transplantada renal há 11 anos, Oraide Salete Carvalho Vieira, 62 anos, de Passo Fundo, participou da caminhada e deu seu testemunho sobre a importância da doação de órgãos. “Peço que não tenham medo de ser doador, porque quem me doou o rim foi minha filha que está aqui, em perfeito estado de saúde. Eu fiz hemodiálise por dois anos, e agora me sinto muito melhor do que antes”.

Com a voz embargada, o transplantado de fígado, Luiz Carlos Wentz, 57 anos, de Tuparendi, agradeceu a Deus a oportunidade de estar vivo, fazendo parte desta caminhada. “Eu já não esperava mais que isso seria possível, porque eu estava no final da minha vida. Por isso, agradeço a Deus, ao Dr. Paulo Reichert, toda equipe de enfermagem e de profissionais que me deram assistência”. Em relação ao seu doador, com lágrimas nos olhos, Luiz afirmou que sente gratidão pela pessoa que partiu e que em vida, deixou a sua vontade de doar órgãos, para que ele seguisse vivendo. “Eu quero deixar este testemunho de muita gratidão. Agora eu tenho uma vida 100% plena!”.

Assim como Oraide e Luiz Carlos, o paciente Marcelo Ademar Rezende, 40 anos, de Passo Fundo, também tem a esperança de receber um órgão e logo poder ser submetido ao transplante de fígado. “Estou ansioso por este momento. Tenho a esperança de continuar minha vida daqui pra frente. Por isso peço que as pessoas se conscientizem. Sei que é um momento difícil, mas a decisão pela doação de órgãos salva vidas. Estou na grande expectativa de receber o órgão e conseguir fazer o transplante. Eu vou conseguir!”.

Para o médico coordenador da OPO, “nós tivemos dois depoimentos emocionantes, de um lado da fila, um paciente que recebeu o órgão e está vivendo em sua plenitude, e de outro o que está esperando para fazer seu transplante. Estes dois exemplos nos motivam muito a continuar nossa caminhada pela vida”.


Foto: 2ª Caminhada pela doação de órgãos reuniu mais de 700 pessoas (Foto Especial/HSVP Nazari)