Os desafios na monitorização feto-materno são discutidos em worshop
O Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), através do Serviço de Hemoterapia (SH), promoveu nos dias 09 e 10 de setembro, o II Workshop de Atualização em Hemoterapia, com o objetivo de debater temas atuais e buscar soluções para problemas relacionados a esses serviços. O evento contou com palestrantes de referência, que abordaram temas variados.
Na oportunidade, o diretor médico do HSVP, Dr. Rudah Jorge reafirmou a importância da instituição ter um Serviço de Hemoterapia próprio. “Nesse segundo workshop tivemos uma maior participação de profissionais, um ponto positivo que demonstra a procura por maior conhecimento”. Além disso, o responsável técnico do Serviço de Hemoterapia, Dr. Antônio Alexandre Clemente de Araújo, agradeceu a equipe organizadora do evento e aos palestrantes que vieram de diversas cidades.
A palestrante Ana Lúcia Girello, consultora da Bio-Rad Laboratorios evidenciou a importância do debate e da atualização promovidos pelo workshop. “Esse encontro tem um foco sobre vários tópicos que são problemáticos e de maior complexidade, por isso que o serviço traz e discute esses assuntos e os disponibiliza para outros profissionais, o que é muito importante. O Serviço de Hemoterapia do HSVP é de muita qualidade em todos os processos que realiza e não deixa a desejar para nenhum serviço de centros maiores, o que fortalece a credibilidade do evento”.
Durante o workshop, um dos assuntos abordados por Ana Lúcia foi Os desafios na monitorização laboratorial da relação feto-materno: prevenção da DHPN (Doença Hemolítica Perinatal) por aloanticorpos e eritrocitários, um tema que vem sendo bastante discutido pelos profissionais. Ela pontuou que o grande desafio é o conhecimento do médico obstetra sobre a etimologia da doença.
Ao conceituar a doença, a consultora explica que a doença do recém-nascido evolui de uma incompatibilidade da mãe com o bebê. “A mãe possui um anticorpo formado que atravessa a placenta e ataca as hemácias do bebê, causando uma anemia. Ao nascer o bebê apresenta um quadro de icterícia (pele amarelada). Isso pode evoluir ainda na fase intrautero dentro do período gestacional ou depois para uma complicação”, explica a especialista, pontuando que a evolução da doença na fase intrautero pode gerar um edema generalizado no bebê, comprometendo funções do sistema nervoso central. Isso tudo pode ocorrer devido a falta de monitorização adequada .
Para evitar que a doença hemolítica perinatal possa causar danos irreversíveis para o bebê, Ana Lúcia destaca que o objetivo da palestra é dizer tudo o que se deve fazer para prevenir essas consequências. “A primeira delas é informar, já que existe uma falta de conhecimento por parte dos profissionais, também não há normatização e políticas públicas em âmbito nacional ou estadual, permitindo que cada um advogue na sua causa e de forma geral. Em seguida temos o laboratório que não sabe como fazer o diagnóstico e passar o resultado para o médico”, demonstra Ana Lúcia, reiterando que os serviços de Hemoterapia precisam de médicos capacitados para esses procedimentos, e que ainda existe uma série de desafios para solucionar o problema.
Foto: Evento debateu assuntos em destaque na área de Hemoterapia ( Foto Assessoria de Comunicação HSVP/Endil Mello)