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Artigo sobre prematuridade é destaque em revista científica

  • 24/08/2015

O nascimento de um bebê prematuro gera dúvidas e insegurança aos pais. A percepção sobre os sentimentos que se afloram nesses casos motivou a psicóloga Débora Marchetti, responsável pela área maternoinfantil do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), a produzir o artigo “Vivências da prematuridade: a aceitação do filho real pressupõe a desconstrução do bebê imaginário?”. O estudo foi publicado na Revista Psicologia e Saúde da Universidade Católica Dom Bosco, Campo Grande, MS, com orientação da psicóloga Mariana Calesso Moreira.

O trabalho, segundo Débora, buscou compreender o vínculo afetivo mãe-bebê, considerando a situação de prematuridade. O estudo compreensivo de caráter qualitativo foi desenvolvido a partir da coleta de dados mediante a uma entrevista semidirigida. Os relatos são de quatro mães, que por alguma intercorrência na gravidez, tiveram seus filhos prematuros, sendo estes internados no Centro de Terapia Intensiva Neonatal do HSVP.

Quanto a escolha do assunto para o artigo, a psicóloga reitera que o interesse surgiu a partir das percepções e intervenções realizadas pela equipe de Psicologia, no CTI Neonatal, ao observar a angústia e o medo das mães após o nascimento do bebê prematuro, em razão da possibilidade da perda da criança.

Neste aspecto, Débora pontua que mesmo sabendo que o CTI Neonatal é o melhor lugar para bebês permanecerem em função da gravidade que apresentam, as mães não sabem o que as espera e sentem-se ameaçadas pelo desconhecido que terão que enfrentar. Ela afirma que a primeira das dificuldades parece ser o contato restrito com o filho. “A expectativa após o parto é de poder ver, tocar o bebê tão desejado durante a gestação. Contudo, o ambiente do CTI restringe esta aproximação nos primeiros momentos devido aos cuidados intensivos que o prematuro necessita receber, ficando a mãe na função de espectadora”.

Por meio dos relatos manifestados pelas mães, a psicóloga concluiu que a prematuridade tende a interferir na construção do vínculo mãe-bebê, pois a hospitalização de um filho prematuro desorganiza a dinâmica familiar. “A aproximação e a construção do vínculo acontecem de forma gradual, condizente com o quadro clínico do bebê. Para que o vínculo se estabeleça satisfatoriamente, o apoio da equipe multiprofissional demonstra ser fundamental e, por isso, deve-se investir no aperfeiçoamento de profissionais para o cuidado humanizado”, destaca a pesquisadora.

Foto: Apoio da equipe e cuidado humanizado são fundamentais na assistência neonatal (Foto Assessoria de Comunicação HSVP/Caroline Silvestro)